Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2020

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Magazine “Quero ser referência para pessoas da minha origem”, diz Martinho da Vila

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O cantor relembrou ações importantes que desenvolveu ao longo de sua carreira de mais de 50 anos na música. (Foto: Divulgação)

No auge de seus 82 anos de idade e outros mais de 50 de carreira na música, Martinho da Vila tem muita história para contar. Apesar de ser um dos principais ícones da história do samba no Brasil, o cantor explicou, em conversa com Quem, que não tem dimensão sobre seu tamanho.

“Eu não fico pensando no que sou, fui, no que serei. Só fico pensando em fazer coisas. Ainda não sei o que é, mas vou fazer muita coisa porque a vida continua [risos]”, diz o artista.

Apesar de não refletir muito sobre a responsabilidade de ser uma das vozes influentes no samba, o cantor admitiu que ao longo da carreira desenvolveu ações importantíssimas, especialmente às que refere às suas origens.

“Uma das coisas que fiz foi aproximar o Brasil da África. O Brasil é um país bastante influenciado pelo continente, mas aqui tinha pouca informação sobre a África. Pouca aproximação. Eu aproximei o Brasil da África, trouxe africanos para o Brasil, e sua cultura. Gravei música de lá e coloquei no ar, levei gente daqui para lá. Isso é uma das coisas boas”, contou.

Martinho, inclusive, chegou a frequentar a faculdade de Relações Internacionais para obter conhecimento para poder atuar mais com suas ações fora do país. Ele não chegou a concluir o curso, porém garante que seu objetivo foi cumprido.

“Fui para a faculdade com a intenção de adquirir mais conhecimentos sobre as relações internacionais, que é algo que já pratico há muito tempo. Eu sou Embaixador da Boa Vontade da Comunidade dos países de língua portuguesa. Meus países são da área diplomática. Eu fui fazer para aprender”, afirmou.

Para ele, o importante é ser referência para o seu público e criar obras significativas. “Uma coisa que eu penso sempre é em fazer coisas para que eu seja uma referência para pessoas da minha origem. Negros, favelados, que tiveram origem humilde. Eu quero ser a referência para essas pessoas, no sentido de ‘ele passou? Conseguiu? Então também posso’. Esse é o meu projeto de vida. E meu projeto maior é continuar sendo referência quando eu descansar. É um sonho de vida ambicioso, né? [risos]”

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