Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de outubro de 2023
O mais recente conflito entre Israel e o Hamas expõe um impasse entre grupos diferentes que se estende por décadas. Há mais de 70 anos, a região vive uma disputa por territórios, que já resultou em enfrentamentos armados e mortes. Mas, afinal de contas, qual é a diferença entre israelenses, palestinos e o grupo Hamas?
Uriã Fancelli, mestre em relações internacionais pelas universidades de Estrasburgo e Groningen, explica que há três principais pontos para explicar essa pergunta.
Em termos gerais, segundo Fancelli, seria possível definir os grupos da seguinte maneira:
– Israelenses: cidadãos do Estado de Israel, que foi criado no fim da década de 1940.
– Palestinos: povo etnicamente árabe, de maioria muçulmana, que habitava a região entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo.
– Hamas: grupo extremista armado que é uma das principais organizações islâmicas nos Territórios Palestinos (são duas áreas não contínuas: a Faixa de Gaza e a Cisjordânia) e que controla a Faixa de Gaza desde 2007.
Hamas
O Hamas atua na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, ambos territórios palestinos. Mas tem líderes espalhados por outros países, como Líbano e Catar. Na língua árabe, Hamas é um acrônimo para “Movimento de Resistência Islâmica”.
Nasceu em 1987, após o início da primeira intifada palestina contra a ocupação israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. É considerado terrorista por Estados Unidos, Israel, União Europeia e Reino Unido, entre outros.
O estatuto do grupo terrorista, de 1988, definiu a Palestina histórica, incluindo a atual Israel, como terra islâmica e excluiu qualquer possibilidade de paz permanente com o Estado judeu. No documento, o Hamas clamou pela destruição de Israel.
Em 2017, o grupo atualizou o estatuto, aceitando formalmente a criação de um Estado palestino provisório na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém oriental. Também afirmou que sua luta não é contra o povo judeu, apenas contra os “agressores sionistas de ocupação” – mas continuou sem reconhecer Israel.
O Hamas possui um braço armado, mas também um braço político, que, em 2006, venceu as eleições legislativas na Palestina, derrotando o Fatah. Representado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANL), Mahmoud Abbas, o Fatah é maior grupo da Organização para a Libertação Palestina (OLP).
No ano seguinte, o Hamas expulsou o Fatah da Faixa de Gaza, tomando controle político e administrativo do território, o que levou Israel a impor um bloqueio que permanece ativo até hoje.
O braço político e administrativo do Hamas inclui professores, médicos e urbanistas. O grupo implementou e geriu várias escolas e clínicas, controlando, por exemplo, todo o sistema de saúde e educação de Gaza.
O Hamas se firmou como principal grupo palestino contrário aos Acordos de Oslo, negociados de 1993 a 1995 entre Israel e a OLP. Após os acordos, o Hamas realizou atentados suicidas, matando civis israelenses. Depois do fracasso de uma cúpula patrocinada pelo presidente americano Bill Clinton, em 2000, e da segunda intifada que ocorreu na sequência, o Hamas continuou realizando atentados suicidas e ganhou poder e influência, enquanto Israel reprimia a Autoridade Palestina, também acusada de patrocinar ataques, conforme a BBC.
Em março e abril de 2004, o líder espiritual do Hamas, Sheikh Ahmed Yassin, e seu sucessor, Abdul Aziz al-Rantissi, foram mortos em ataques com mísseis israelenses em Gaza.
Segundo uma fonte da área de segurança de Israel, no último ano o Irã aumentou o financiamento do braço armado do Hamas de US$ 100 milhões para cerca de US$ 350 milhões anuais.
Além de receber armas de fora, o Hamas fabrica os próprios armamentos, usando para isso, inclusive, parte da infraestrutura destruída por ataques anteriores de Israel (chapas e tubos metálicos, estrutura elétrica), além de reciclagem de munições israelenses que não explodiram, de acordo com o palestino naturalizado americano Ahmed Fouad Alkhatib, em artigo para o Washington Institute.
No ataque de 7 de outubro, o Hamas disparou mais de 2,5 mil foguetes. Combatentes em parapentes, motocicletas e veículos de quatro rodas invadiram Israel, destruindo comunidades, matando cerca de 1,3 mil pessoas e levando dezenas como reféns. As informações são do portal de notícias G1.
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