Terça-feira, 11 de Maio de 2021

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| Entenda por que tantos bebês morrem de covid no Brasil

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420 bebês morreram em decorrência do coronavírus no Brasil. (Foto: Reprodução)

Desde o início da pandemia de covid, ao menos 420 bebês morreram em decorrência do coronavírus no Brasil, número aproximadamente dez vezes maior que o dos Estados Unidos.

Conforme o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) norte-americano, 45 crianças com menos de 1 ano perderam a vida após infecção pelo vírus.

Dentre as crianças de 1 a 5 anos, a discrepância entre os dois países também fica nítida: foram 207 mortes por covid no Brasil contra 52 nos Estados Unidos.

Os números brasileiros também são maiores do que o do Reino Unido, que registrou apenas duas mortes por coronavírus entre bebês (menos de um ano). E superiores aos do México, onde 307 crianças entre zero e quatro anos morreram. Já a França teve apenas quatro mortes entre zero e 14 anos devido ao novo coronavírus.

Ao mesmo tempo, atualmente, os EUA têm o maior número de mortos por covid- (529 mil), seguido por Brasil (270,6 mil) e México (191,8 mil), segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

A taxa de mortalidade norte-americana pelo vírus (161,28 por 100 mil habitantes) também é mais alta do que a brasileira (128,12 por 100 mil habitantes). Assim, desde o início da pandemia, a covid-19 matou, proporcionalmente, mais lá do que aqui.

As taxas de nascimentos de bebês também são dados importantes nesta equação. Os dois países têm taxas praticamente iguais de natalidade, segundo o Banco Mundial: 1,77 filhos por mulher nos EUA e 1,74 filhos por mulher no Brasil.

Em 2019, foram registrados 3,5 milhões de nascimentos nos Estados Unidos e 2,9 milhões no Brasil. A população americana é de 328,2 milhões e a brasileira, 210 milhões.

Em resumo: o Brasil tem um número mais elevado de mortes de bebês e crianças pequenas por covid-19, apesar de ter menos nascimentos do que os EUA, onde, por sua vez, mais pessoas morrem em decorrência do vírus, tanto em números absolutos quanto relativos.

Mas, afinal, o que está por trás desse alto número de mortos entre bebês e crianças pequenas no Brasil?

Razões

Além das mortes, na mesma base de comparação com outras nações, o Brasil também conta com um número expressivo de crianças internadas por covid-19. Só neste ano, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, 617 bebês (menos de um ano), 591 crianças de um a cinco anos e 849 de seis a 19 anos foram hospitalizados devido à doença.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, não há uma única resposta para o problema.

Descontrole da pandemia e falta de diagnóstico adequado, aliados principalmente a comorbidades (doenças associadas) e vulnerabilidades socioeconômicas, passando pelo aparecimento de uma síndrome associada à covid-19 em crianças, ajudam a explicar o quadro trágico brasileiro.

Mas há uma ressalva: embora os óbitos sejam mais numerosos no Brasil em relação a outros países do mundo, é importante lembrar que o risco de morte nessa faixa etária ainda assim é “muito baixo”, lembram os cientistas.

De fato, 420 bebês representam apenas 0,15% do total de mortes por covid-19 no Brasil (270,6 mil).

Portanto, a chance de um bebê (ou de uma criança) desenvolver sintomas graves de covid-19 e morrer por causa da doença é rara, mas “não nula”, diz Fatima Marinho, médica epidemiologista e consultora-sênior da Vital Strategies.

“As mortes nessa faixa etária são raras, mas é preciso acabar com esse mito de que crianças não morrem por covid-19”, assinala.

Marinho frisa que as mortes por covid-19 entre bebês e crianças no Brasil podem ser ainda maiores se contabilizados os óbitos por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) não especificada.

“Podemos dizer que 48% dos que faleceram por SRAG não especificado têm alta probabilidade de ser morte por covid-19 por critérios clínicos e epidemiológicos”, assinala.

Segundo Marinho, dados preliminares de uma pesquisa realizada pela Vital Strategies e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), em três capitais, mostraram que 90% dos casos de SRAG não especificada foram comprovados como sendo de covid, após investigação.

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