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Brasil “Se o pessoal me ajudasse um pouquinho, o Brasil ia embora”, diz Bolsonaro, afirmando ainda que existe uma “guerra ideológica” em torno da discussão sobre o uso da cloroquina

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Para presidente, lei da telemedicina não traz requisitos de segurança eletrônica. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (9), que existe uma “guerra ideológica” em torno da discussão sobre o uso da hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com Covid-19. Na quarta-feira (8), em pronunciamento em rede nacional, Bolsonaro reforçou seu posicionamento a favor do uso do medicamento, que ainda está em estudo.

“Isso é uma guerra ideológica em cima disso, guerra de poder. Se o pessoal me ajudasse um pouquinho, não me atrapalhasse – não estou me refiro a A, B ou C -, o Brasil ia embora”, declarou o presidente para um grupo de apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília (DF).

O presidente voltou a mencionar o médico cardiologista Roberto Kalil Filho, que admitiu ter usado a droga em seu tratamento contra o novo coronavírus. No pronunciamento de quarta, Bolsonaro já havia elogiado Kalil. Apesar de nos últimos dias ter defendido o medicamento como um tipo de “cura” para o novo coronavírus, o próprio presidente lembrou que a droga não tem eficácia comprovada.

“Tem médico que usa. Tá usando tem quase dois meses. A gente sabe que não está ainda comprovado cientificamente, mas…”, disse sem completar a frase.

Bolsonaro citou novamente a suposta administração de água de coco na veia de soldados feridos na Segunda Guerra Mundial para justificar o uso da hidroxicloroquina em pacientes da Covid-19.

“Eu contei uma história bacana da guerra no Pacífico. O soldado chegava sem sangue e não tinha transfusão, não tinha outro para doar. Então, o pessoal lá botou água de coco na veia e deu certo. Serviu como soro, imagina se fosse esperar uma comprovação científica, quantos não morreriam? Aqui a mesma coisa”, disse.

Na mensagem à população na quarta, Bolsonaro mencionou que o País deve receber, até este sábado (11), matéria-prima vinda da Índia para ser usada na produção da hidroxicloroquina. O material que chegará ao Brasil, segundo Bolsonaro, é fruto de uma “conversa direta” dele com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

Nesta quinta, em suas redes sociais, o presidente agradeceu o primeiro-ministro indiano e destacou que ele fez “um gesto honroso que poderá ajudar a salvar a vida de muitos brasileiros, e do qual jamais esqueceremos”.

Recomendação

A hidroxicloroquina já tem protocolo de uso aprovado pelo Ministério da Saúde para casos graves e moderados de Covid-19. O ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, tem ressaltado, contudo, que se trata de uma substância que ainda não foi devidamente testada, com contraindicações e que deve ser ministrada apenas pelo médico em casos específicos.

Nesta semana, Mandetta afirmou que o ministério acompanha estudos clínicos sobre a eficácia de medicamentos contra o novo coronavírus, entre eles a cloroquina e a hidroxicloroquina. Os primeiros resultados científicos devem ser conhecidos a partir do próximo dia 20.

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