Terça-feira, 24 de Novembro de 2020

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Por que alguns países são prósperos, enquanto outros sofrem com a miséria e a desigualdade econômica? (Foto: Reprodução)

Uma pergunta é bastante comum entre estudiosos e curiosos quando o assunto é a riqueza e a pobreza das nações: por que alguns países são prósperos, enquanto outros sofrem com a miséria e a desigualdade econômica?

Em 1820, a Grã-Bretanha, Holanda, EUA, Canadá, Austrália e alguns outros países da Europa, detinham os maiores PIB per capita do mundo.

Segundo o historiador econômico, Robert Allen, um conjunto de quatro fatores foi responsável pela ascensão desses países: a criação de um mercado nacional unificado, com tarifas internas e construção de infraestrutura de transportes; o estabelecimento de tarifas externas para proteger suas indústrias; a criação de bancos para estabilizar a moeda e financiar o investimento industrial; e a instituição do ensino de massa para qualificar a força de trabalho.

De 1820 até os dias atuais, esses países mantiveram suas posições relativas de liderança no PIB, agora na companhia do Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Nova Zelândia, que ascenderam durante o período. A China, apesar do excepcional crescimento de sua economia nos últimos 35 anos, ainda apresenta um PIB per capita bastante distante dos países líderes.

No livro “Por Que as Nações Fracassam”, os autores Robinson e Acemoglu, argumentam de maneira convincente, que os países só escapam da pobreza quando dispõem de instituições econômicas adequadas, sobretudo à propriedade privada e à livre concorrência. Eles defendem, ainda, a tese original de que a probabilidade de os países desenvolverem instituições de forma acertada é maior quando eles contam com um sistema político pluralista e aberto, com democracias representativas, eleitorado amplo e espaço para o surgimento de novas lideranças.

Entretanto, independentemente das causas do desenvolvimento, não deixa de ser curioso o fato de praticamente os mesmos países virem, há séculos, ostentando os melhores indicadores econômicos, sinalizando um difícil caminho para novos entrantes nesse seleto clube, a exemplo do Brasil que vem, há muitos anos, crescendo a taxas inferiores às suas reais necessidades.

Estaríamos condenados então, a sermos meros coadjuvantes no cenário global dos países desenvolvidos, ou teríamos, ao nosso alcance, os recursos e as condições para o necessário grande salto rumo ao pleno desenvolvimento?

Essa resposta, a julgar pelo que as estatísticas revelam, vai requerer muito mais do que reformas pontuais ao Brasil. Irá exigir um esforço estratégico abrangente, um pacto amplo e com foco em escolhas cruciais, a começar pela educação, verdadeiro imperativo para um país que almeje um lugar ao sol entre as nações mais desenvolvidas.

Além disso, como orientam e sinalizam Robinson e Acemoglu, é fundamental manter um bom ambiente econômico e um conjunto de instituições que induzam confiança e estabilidade aos investidores. A reforma da previdência, concluída com sucesso num esforço muito bem articulado entre Executivo e Legislativo, indica que as reformas tributária e administrativa também podem vingar ainda neste ano, não obstante o calendário eleitoral. Esse conjunto de reformas contribui para pavimentar um ambiente econômico mais convidativo a novos investimentos e melhorar a confiança em relação à tão esperada recuperação econômica do país.

Recolocar nosso país na inadiável rota do desenvolvimento sustentável não é uma tarefa simples. Entretanto, não há como negar que o potencial existente no país nos anima a dizer que “somos um projeto à espera de um gestor”, conforme falou, há alguns anos, o economista Fábio Giambiagi. Talvez em tempo algum, estivemos tão dependentes de líderes capazes de terem essa fundamental compreensão das escolhas que devemos fazer.

 

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