Quarta-feira, 27 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Sérgio Cabral admitiu caixa dois do ”Rei Arthur”, mas disse que jamais agiu como corrupto

Compartilhe esta notícia:

Cabral ao ser preso na operação Lava-Jato. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O ex-governador Sérgio Cabral (MDB) e o ex-secretário de Saúde de sua gestão, Sérgio Côrtes, foram ouvidos na tarde desta segunda-feira (13) na Operação Unfair Play, que apura compra de votos para o Rio sediar a Olimpíada. Ele admitiu caixa dois do ”Rei Arthur”, mas afirmou que jamais agiu como corrupto.

O processo foi desmembrado em dois. Na semana passada, Cabral foi ouvido a respeito da suposta compra de votos de membros africanos do COI e negou. Desta vez, o ex-governador é ouvido a respeito das propinas que teriam sido pagas por Arthur.

Carlos Miranda, delator e ex-operador do esquema criminoso de Cabral, diz que o ex-governador recebeu mais de R$ 1 milhão em propina das firmas do empresário por cerca de 5 anos. Cabral voltou a negar ter recebido propina, mas admitiu caixa dois.

“O senhor Arthur Soares me ajudou em campanhas eleitorais de maneira informal, caixa dois. Os irmãos Chebar (delatores) foram responsáveis para pegar parte desses recursos. (…) Posso lhe garantir que me ajudou em campanhas de 2002 para o Senado, 2004 para ajudar candidatos aliados e sei que ajudou adversários meus, 2006 para o governo do Estado, 2008 para as campanhas municipais, 2010 para reeleição e de candidatos aliados. Mas em 2012 não sei, 2014 com certeza não”.

Cabral voltou a assumir seus erros, dizendo que usou dinheiro de caixa dois para “fins pessoais”. No entanto, afirmou que jamais prometeu obras públicas em troca de vantagens indevidas.

“O que eu não fiz foi (pedir) propina, agir como corrupto. Isso eu nunca agi”.

Na semana passada, Cabral disse que a denúncia de compra de votos para a Rio-2016 é “preconceito racial” por parte dos procuradores. A investigação indica que o pagamento foi feito também através do empresário Arthur Soares, o Rei Arthur, que é seu amigo.

De acordo com a denúncia, Côrtes teve despesas pessoais pagas por Arthur Soares através da ex-sócia do empresário Eliane Cavalcante. A benesse seria uma reforma em sua cobertura na Lagoa, Zona Sul, de R$ 148 mil.

Privilégios para Adriana

O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do MPRJ (Ministério Público do Rio) entrou com ação civil pública pedindo o afastamento da diretora da cadeia Joaquim Ferreira de Souza, Rita de Cássia Alves Antunes, por improbidade administrativa. De acordo com a ação, a diretora concedeu privilégios à mulher do ex-governador Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, quando a advogada esteve presa no Complexo Penitenciário de Gericinó, entre os meses de dezembro de 2016 e março de 2017.

De acordo com a ação, um emissário de Cabral foi ao Complexo de Gericinó no dia 25 de dezembro de 2016 com uma ceia de natal para Adriana, ato proibido pelas regras da penitenciária. Após ser barrado por agentes penitenciários, o emissário retornou e teve sua entrada autorizada por um subcoordenador da unidade, “por ordem do 01”, referência ao secretário de Administração Penitenciária. Na ocasião, de acordo com o depoimento de uma agente penitenciária, Rita de Cássia teria informado que a ordem partira, realmente, do secretário.

No dia 31 de dezembro do mesmo ano, mais um emissário do ex-governador compareceu à penitenciária, desta vez para levar uma cesta de réveillon para a ex-primeira dama. Como, novamente, o acesso foi negado, a própria Rita de Cássia compareceu à unidade prisional, mesmo de folga, para receber a ceia e entregá-la pessoalmente à detenta.

O Ministério Público informou ainda que, após a chegada de Adriana Ancelmo, a rotina da unidade prisional foi alterada, dando-se maior liberdade para a aquisição de produtos na cantina e permitindo-se acesso irrestrito. Desta forma, permitiu-se que presas de nível superior mantivessem celas abertas durante o réveillon, enquanto as demais presas eram mantidas trancadas.

As regras de disciplina da unidade também foram “adaptadas” para a ex primeira-dama, que não era obrigada a levantar da cama durante as inspeções de rotina, não podia ser revistada após as visitas e, sequer, ser chamada de presa, como as demais. A agente penitenciária que tentou manter a igualdade de tratamento para todas as detentas acabou transferida pela diretora para outra unidade prisional.

O MPRJ solicita, na ação civil pública, o afastamento cautelar de Rita de Cássia da função pública. A ação pede ainda a suspensão dos direitos políticos da diretora por um prazo de cinco a oito anos, o pagamento de multa e o ressarcimento de danos morais suportados pela coletividade, em valor não inferior a 100 salários mínimos.

De mudança

Um dos donos da H.Stern está de mudança para Portugal. Ronaldo Stern participou da delação da empresa que comprometeu Sergio Cabral e Adriana Ancelmo. Além da dupla, o empresário entregou outros políticos. A informação é da revista Veja.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Executivos da empreiteira OAS pretendem delatar dois ministros do Superior Tribunal de Justiça
Investigado por ato sobre portos, Michel Temer disse que é “ilusão” achar que o presidente assina, redige e manda publicar decretos
Pode te interessar