Terça-feira, 09 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de julho de 2017
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Hoje, completam-se 23 anos do lançamento do real. De 1979 a 1991, ocorreram nove tentativas de conter a inflação. Surgiram planos econômicos para todos os gostos: ortodoxos, heterodoxos, ortoheterodoxos, heterortodoxos. Naufragaram por vários motivos. Em um de seus artigos, José Serra se referiu à síndrome Elizabeth Taylor: “Acreditar que um décimo plano de estabilização iria dar certo era equivalente a confiar que o enésimo casamento de Liz Taylor iria perdurar.”
Prosseguiu Serra: “Vencer essa síndrome foi talvez o maior mérito do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, submetido a uma tripla pressão: da sociedade que, síndrome à parte, estava sequiosa por uma saída para o desespero da superinflação; das forças próximas ao governo e do seu partido, cujo destino eleitoral parecia depender do desempenho da Economia. Finalmente, do seu próprio futuro político, irremediavelmente atado ao resultado de sua gestão”. A inflação veio abaixo e Fernando Henrique se elegeu duas vezes presidente da República não tendo de enfrentar o 2º turno.
Entrada e saída
O primeiro semestre termina com o Impostômetro registrando 1 trilhão e 83 bilhões de reais. Total arrecadado dos contribuintes de todo o País desde 1º de janeiro. O Jurômetro atingiu 197 bilhões, quantia paga este ano para rolar a dívida do governo federal que passa dos 3 trilhões de reais.
A cada dia um novo susto
A análise das contas públicas provoca a mesma sensação dos trens fantasmas nos parques de diversões. Conduz os passageiros num pequeno vagão que trafega vertiginosamente sobre trilhos num corredor escuro. A cada curva surgem monstros, caveiras e esqueletos ameaçadores. São ouvidos gritos e rugidos que levam à acelerada taquicardia.
Diferença
O historiador José Murilo de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, distingue bem o medo e o respeito. Só uma sociedade que tenha respeito às suas leis pode se alçar a um patamar de desenvolvimento. Enquanto só houver cumprimento da lei por medo, sem que os valores que a nortearam sejam compreendidos pela população, não mudará a cultura de leniência e até conivência com as transgressões.
Dois lados da moeda
Planejar greve em uma sala com lideranças animadas é uma coisa. Pôr em prática muda de figura.
Sem reação
Impressiona o silêncio danado diante da crise financeira do Estado.
Segundo round
Assessores do Planalto têm aconselhado o presidente Temer a abrir processo contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barros.
Receitas erradas
A Lei da Gravidade não se anula por decreto legislativo, assim como a situação caótica das finanças públicas não desaparece com medida provisória.
Indesmentível
O Estado brasileiro sempre foi arcaico, patrimonialista e concentrador.
Chamas altas
Junho termina sem o Arraiá do Torto, festa tradicional entre políticos em Brasília. Ninguém se animaria a pular a fogueira. Em temporada de tantos chamuscados, não é conveniente arriscar.
O que dizer
Está cada vez mais difícil para os professores explicarem em salas de aula os conceitos de esquerda e direita, que já foram bem nítidos.
Comparação
O que se ouve nas periferias das cidades retrata a trágica desordem social: se os poderosos que estão numa boa roubam, por que nós, que estamos em desvantagem, não podemos roubar também?
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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