Sábado, 05 de Dezembro de 2020

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Brasil Teste feito em casa identifica infecção pelo coronavírus com análise da saliva

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Para os casos que chegam ao hospital com forte suspeita de covid, o teste mais recomendado ainda é o convencional RT-PCR. (Foto: Robson da Silveira/SMS/PMPA)

A retomada de atividades de trabalho e socialização em várias cidades brasileiras movimentou o mercado de testagem para covid, que se expande com a reabertura. Em São Paulo, um laboratório acaba de lançar um serviço no qual a pessoa pede pela internet um kit que contém um teste de saliva, faz a coleta em casa e agenda a devolução a um coletor da empresa, que levará o material para análise em laboratório. O resultado sai em menos de 24 horas, também na internet.

O teste custa R$ 169, mais acessível em comparação aos exames tradicionais de RT-PCR. A tecnologia foi desenvolvida em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, em julho, mas até então o teste ficava restrito ao ambiente hospitalar e a empresas que contratavam o serviço para testar seus funcionários, sem venda direta ao consumidor final.

“É um teste simples de colher, prático, acessível do ponto de vista financeiro e que dá uma resposta rápida. A ideia é que seja mais uma camada de proteção para que as pessoas retornem com segurança às atividades de escola, trabalho, socialização, encontros de família”, explica David Schlesinger, CEO do laboratório de mapeamento genético Mendelics e da healthtech por trás do serviço, chamada meuDNA. “Começamos a fazer para empresas, foram mais de 300 mil testes, e vimos que havia uma demanda grande de pessoas que queriam testar na própria família, sem depender de intermediários. Essa nova logística veio da necessidade de maior agilidade e acessibilidade.”

O teste usa como base de diagnóstico uma tecnologia chamada PCR-LAMP (Amplificação Isotérmica Mediada por Loop). Assim como o RT-PCR, a técnica confirma a infecção a partir da identificação de presença do material genético do novo coronavírus no material colhido.

A diferença, explica o laboratório, é que o resultado não depende de análise do swab nasofaríngeo (a secreção nasal é colhida com um cotonete nos exames de RT-PCR). E o próprio consumidor pode fazer a coleta de saliva em casa, em um tubo estéril que vem no kit.

“Apesar de o número de infectados estar caindo, agora é um momento crucial para testagem e controle de novos picos, como temos visto na Europa”, afirma Schlesinger. “Inclusive é um teste especialmente válido para assintomáticos, que têm carga viral e podem transmitir a doença mesmo sem apresentar sintomas. A testagem complementa outras estratégias, como o uso de máscaras e o contato reduzido com pessoas e aglomerações desnecessárias, e pode ser feita com frequência para aumentar a segurança.”

Segundo o laboratório, a confiabilidade do kit de saliva é maior do que a dos testes rápidos, alvos de discussão sobre falsos negativos no início da pandemia.

“A sensibilidade gira em torno de 80%, e a especificidade é de quase 100%”, diz Schlesinger. “Sem contar que o teste PCR-Lamp indica a infecção em fase ativa, não é baseado em testes de anticorpos, que são desenvolvidos depois da infecção.”

Por enquanto, o serviço está disponível apenas na cidade de São Paulo e região metropolitana, por conta da logística de entrega e retirada do teste. A empresa estuda formas de expansão a outras cidades.

Amostras de saliva

Os testes baseados em análise de saliva têm sido uma aposta no Brasil e no exterior. O Hospital Sírio-Libanês também desenvolveu um teste próprio que usa a análise RT-PCR em saliva colhida de pacientes e que será lançado ainda este mês.

“É um teste molecular com processo parecido ao do swab, mas com análise da saliva”, explica Cesar Nomura, superintendente de medicina diagnóstica do Sírio. “A vantagem é a facilidade de coleta. Não é necessário um ambiente protegido, como quando se faz a coleta de swab nasal, e o resultado sai mais rápido, em menos de 24 horas. Além disso, a saliva tolera melhor a temperatura ambiente e não precisa ser acondicionada em refrigeração até o processamento do material.”

Segundo o médico, o teste é especialmente dirigido a pessoas assintomáticas, em empresas ou escolas que queiram ter um retrato da infecção entre colaboradores ou alunos.

“Esse teste tem especificidade de 100%, sensibilidade de 93% e concordância próxima a 96%”, afirma.

Para os casos que chegam ao hospital com forte suspeita de covid, o teste mais recomendado ainda é o convencional RT-PCR, explica, que tem a detecção mais alta.

A Universidade de São Paulo (USP) também trabalha em um teste que detecta a covid por meio da saliva, com o uso da técnica RT-Lamp. Ainda em testes internos, ele deve ser lançado no próximo mês.

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