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Edson Bündchen Todos estão surdos

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O Brasil está dividido politicamente, e de maneira muito grave, pois a cisão não ocorre por motivos fúteis, mas se baseia em elementos culturais, éticos, religiosos e civilizacionais. Portanto, não se trata de algo trivial que irá desaparecer em pouco tempo. Esse novo ambiente polarizado veio para ficar, pelo menos nos próximos anos, e irá influenciar muito o nosso cotidiano e a vida econômica, social e política do País. São visões que se digladiam em amplo espectro, envolvendo assuntos que, em grande parte, estavam adormecidos, até surgir o fenômeno do “bolsonarismo”. Temas como aborto, posse e porte de armas, estado laico versus participação ostensiva das igrejas na política, financiamento ou não de outros países com recursos públicos, nacionalismo versus globalismo, tratamento das questões indigenistas e ambientais, maior ou menor liberalidade no uso de drogas, identidade de gênero, presença do Estado na economia, dentre outros temas, passaram a demarcar as posições políticas de milhões de brasileiros. Isso, em si, é normal e até desejável dentro de uma democracia saudável, onde as tensões existentes devem se acomodar através da política, que é, em essência, o exercício daquilo que é possível, sob limites legais pré-estabelecidos. Ocorre que, em alguns casos, como ao que assistimos hoje no Brasil, há um transbordamento dessas tensões, com as relações não sendo mais guiadas pela razão, mas por emoções que podem se tornar perigosas na medida em que não houver mecanismos legais de contenção. Esse quadro de passionalismo exacerbado compromete o necessário espaço para o diálogo, segrega e afasta as pessoas, tornando a construção de consensos mínimos de convivência civilizada mais difíceis.

Nesse ambiente de confronto, a polarização chegou ao ponto de pulverizar o centro democrático, com os dois primeiros colocados capturando mais de 90% dos votos úteis no primeiro turno das eleições deste ano. De lado a lado, um diálogo de surdos, com recíprocas acusações que tornam impossível, pelo menos neste momento, visualizar-se alguma trégua. De que forma esse estado de beligerância mútua irá se acomodar? O que está por trás dessa guerra de narrativas? É possível imaginar um processo de pacificação a curto prazo? Como geralmente ocorre nesse tipo de situação, há simplificações exageradas, generalizações indevidas e, acima de tudo, a perigosa ideia de que a culpa é somente de quem pensa de forma diferente. Os ânimos exaltados e a apressada tendência agressiva nos julgamentos de terceiros, impedem que se reconheçam eventuais méritos nos adversários, cristalizando o conhecido “efeito halo”. Nessa perspectiva, no qual a análise, o julgamento e a conclusão sobre a definição de uma pessoa, entidade ou fato, ocorrem a partir de uma única característica, cresce o sectarismo, a intransigência e a intolerância, agora potencializados por uma nova realidade, na qual as mídias sociais exercem um poder antes inexistente, tornando o processo de comunicação muito mais polifônico e complexo.

Infelizmente, o quadro tenebroso que o Brasil enfrenta em termos de polarização política é um fenômeno mundial, mas cada País terá que enfrentar o problema considerando suas condições contingentes e históricas únicas. Não existe uma receita simples, mas há consenso quanto a dois aspectos: o primeiro, é que não é possível o País avançar com um esgarçamento social que coloque os cidadãos em polos irreconciliáveis; o segundo, demanda que haja um pacto de civilidade que precisa ser preservado e, para isso, o funcionamento regular de nossas instituições e a ação política responsável dos detentores do poder são condições fundamentais. Além disso, espera-se que a Imprensa, as entidades sindicais e de classe, os formadores de opinião e a população em geral consigam ter a noção sobre a necessidade de jamais colocar em xeque os fundamentos democráticos, requisito elementar para o futuro do País. Ademais, sempre vale o apelo de cunho prático: já que temos que conviver aqui por algum tempo, que seja de uma maneira minimamente razoável.

 

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José Costa
6 de outubro de 2022 10:43

Eu não tenho nenhum desconforto com alguém que defenda algum partido ou ideologia. Isto chama-se democracia. Mas me incomoda bastante, e procuro manter uma boa distância de alguém que se diga eleitor de ladrão; seja de que partido for. Não me considero inimigo de tal pessoa, mas não quero ser amigo da mesma. Dou só um exemplo: já votei no Sr Aécio Neves e hoje tenho bastante dificuldade para entender como pode alguém, depois de tudo o que sabe do sujeito, ainda votar nele.

Marcus Vinicius Magagnin
6 de outubro de 2022 22:51

Não importa se você vota em lula ou Bolsonaro. Os problemas são os mesmo, as armadilhas são as mesmas. As escola sempre tem problema, a saúde sempre precária. Nos pagamos impostos caríssimos para ter muito pouco de volta. Se for pra sair na rua, saia para ter direito a um dentista digno, dignidade em pagar gasolina ou ônibus, as crianças tem direito a escola descente. Nós temos de parar de idolatrar a ou b. Eles são nossos empregados, ou fazem o seu melhor ou saia. No âmbito privado ou você tem competência ou cai fora. Nos cidadoes temos que cobrar… Leia mais »

Juventino Adamatti
7 de outubro de 2022 02:13

Estou chegando aos 80 anos de vida e posso afirmar que em todo este tempo não vi melhoras na classe política, só piorou.
Só que agora, infelismente o “bolsonarismo” virou fanatismo, e isso é perigoso, nunca na minha vida presenciei uma polarização táo ferrenha na política como agora.
Sugiro que a sociedade reflita sobre isso e use a inteligência antes que seja tarde.

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