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Geral Tragédia no RS faz o mercado refletir sobre como mitigar a crise climática

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Enchentes devastaram a maioria dos municípios gaúchos. (Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini)

Os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul provocam reflexão no mercado sobre o que fazer de diferente para mitigar a crise climática. A opinião é de Luciana Wodzik, CEO da divisão de Negócios de Calçados e Acessórios da Arezzo&Co, ao fazer referência à necessidade de abertura do Brasil para uma produção mais sustentável, sem retrocessos.

A sede da companhia e a maior parte das suas fábricas (seis delas) estão no Estado gaúcho, um reconhecido polo calçadista brasileiro, com cerca de 3 mil empresas e aproximadamente 120 mil trabalhadores diretos, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Segundo a executiva, não houve grandes impactos materiais nos empreendimentos ligados a Arezzo&Co. No entanto, 3 mil colaboradores foram afetados em maior ou menor grau, o que exigiu da companhia a adoção de políticas de gestão de crise. Os funcionários que estavam em abrigos, por exemplo, foram realocados em hotéis e casas em lugares seguros, diz.

“A situação de cada um é diferente. Tem lugares que foram mais afetados que outros. Então, a gente tomou primeiro uma medida que atendesse a todos de forma igual, depois a gente classificou por situações: aqueles mais afetados tiveram um apoio diferenciado”, explica a gestora.

Além de arrecadar donativos, a companhia anunciou a parceria com entidades e empresas calçadistas em prol do Movimento Próximos Passos RS, fundo voltado para reconstrução de parte da cadeia do setor afetada pelo desastre climático que já arrecadou R$ 10 milhões.

“Nesse primeiro momento, que ainda está acontecendo, a gente tem uma questão que é basicamente salvar vidas. A arrecadação tem como foco o ecossistema do polo calçadista e é um plano de médio e longo prazo”, afirma. Veja abaixo alguns trechos da entrevista que ela concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo.

– E quais são os desafios hoje enfrentados pelo segmento para cumprir metas de sustentabilidade? “Eu acho que falta, no geral, as pessoas terem consciência dos verdadeiros impactos: o que eu estou fazendo hoje e que pode estar impactando no futuro. Então, é uma questão de cultura de consciência, que a gente precisa estar todos os dias falando, conscientizando, gerando movimentos, para que a gente possa ter cada vez mais (o engajamento de) pessoas e empresas, não só do setor calçadista e de moda, mas de todos os outros setores que impactam nessas questões. E que a gente não possa de forma nenhuma retroceder. É um trabalho. É todo dia fazendo, avançando, evoluindo, colocando mais pessoas dentro dessa consciência.

– E o Brasil, hoje, já é um mercado aberto para essa produção mais sustentável? “Temos facilidade, mas temos muito para evoluir. São vários passos e evoluções que o Brasil precisa ter, mas eu acho que uma tragédia como a do Rio Grande do Sul coloca todo mundo para parar e refletir sobre o que que precisa fazer de diferente e como isso serve de lição, não só para o movimento de agora. Por isso que as nossas ações não são apenas a curto prazo. As do curto prazo são: salvar as pessoas, se solidarizar, dar conforto e lares para todas elas, mas depois a gente tem um caminho de médio e longo prazo para continuar e cada vez mais ter menos impactos, pois com certeza que tá acontecendo no Rio Grande do Sul poderia ter sido evitado.As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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