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Mundo Leilão de 25 carros de luxo do filho do ditador da Guiné Equatorial arrecada US$27 milhões

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Uma Ferrari Enzo (2003), parte da coleção de carros de luxo de propriedade de Teodorín Obiang. (Foto: Reprodução)

O leilão de 25 carros de luxo pertencentes a Teodorín Obiang Nguema, vice-presidente da Guiné Equatorial, e filho do presidente Teodoro Obiang Nguema, arrecadou quase 27 milhões de francos suíços (cerca de US$ 27 milhões) neste domingo (30). A estrela do evento, organizado pelas autoridades suíças, foi um Lamborghini Veneno Roadster, de 2014, vendido por 8,28 milhões de francos, cerca de 50% a mais do que a estimativa de pré-venda. Segundo a Reuters, um colecionador de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, comprou vários carros.

Filho do ditador que que governa Guiné Equatorial com mão de ferro há 40 anos, Teodorín é conhecido pelo seu estilo de vida luxuoso e já foi condenado na França e nos EUA por corrupção e crimes financeiros. Os carros foram confiscados em 2016 após a abertura de um inquérito por supostas irregularidades financeiras cometidas por ele, que é apontado como sucessor do seu pai. Os procuradores suíços desistiram das acusações este ano, mas os carros permaneceram confiscados.

Para cobrir os custos judiciais, o governo da Guiné Equatorial também concordou em dar 1,3 milhões de francos suíços (US$ 1,3 milhões).

O país africano, com 1,2 milhões de habitantes, é um dos maiores produtores de petróleo na África. A Amistia Internacional acusa o regime de Teodoro Obiang de repressão sistemática contra ativistas de direitos humanos e partidos da oposição.

“Durante demasiado tempo, as pessoas vivem num clima de medo por causa da impunidade sobre a violação dos direitos humanos e abusos, incluindo o emprisionamento de ativistas dos direitos humanos e opositores políticos com acusações falsas”, diz a ONG.

Em setembro do ano passado, autoridades brasileiras confiscaram mais de US$ 16 milhões em dinheiro e relógios de luxo, pertencentes a uma delegação que acompanhava Teodorin Obiang numa visita privada. Segundo uma fonte diplomática da Guiné Equatorial, o dinheiro iria servir para pagar tratamento médico para o vice-presidente em São Paulo, com os relógios a servirem somente para uso pessoal.

Em 2013, Teodorín veio ao Brasil acompanhar o carnaval carioca, e o governo francês pediu sua extradição, mas conseguiu deixar o país antes de ser preso. No ano seguinte, as investigações da Lava-Jato indicaram que ele teria sido advertido por diretores da empreiteira brasileira OAS, que mantinha relações comerciais com o governo da Guiné Equatorial.

Em fevereiro de 2015, a escola de samba Beija-Flor se sagrou campeã do carnaval carioca apresentando um enredo sobre a Guiné Equatorial. O país negou rumores de que teria disponibilizado US$ 10 milhões para o desfile.

Em 2017, um tribunal de Paris o condenou a três anos de pena pelo uso de dinheiro público para comprar ativos na França, incluindo uma mansão de seis andares numa das zonas mais caras da capital francesa, vários carros e obras de arte.

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