Terça-feira, 07 de Julho de 2020

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Brasil Uma enfermeira contou como o Doutor Bumbum enganava as suas pacientes

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Sem carteira assinada, Wanessa recebia um salário de R$ 3 mil mais comissão sobre a captação de novos pacientes. (Foto: Reprodução/Instagram)

A enfermeira Wanessa Ribeiro Reis, de 26 anos, que trabalhou por um período de cinco meses com o médico Denis Cesar Barros Furtado, o Doutor Bumbum, resolveu quebrar o silêncio. Ela, que também passou por um procedimento de aplicação do metacril e teve complicações, revela que o médico ficava com parte do produto que vendia a clientes. E que ele e a mãe, Maria de Fátima Furtado, chegaram a ser expulsos de um hotel em São Paulo após transformar o quarto onde estavam numa clínica improvisada.

Moradora do Lago Sul, em Brasília (DF), Wanessa conseguiu tirar a carteira definitiva de enfermeira em 2016.

“O meu trabalho, até então, era de digital influencer. Divulgava marcas e produtos no meu Instagram. Em maio do ano passado, o Denis entrou em contato comigo, pela minha rede social, para que eu pudesse fazer uma entrevista de trabalho com ele. No primeiro momento, ele me disse que seria em sua Clínica no Lago Sul, mas faltando uma hora para a entrevista, ele me ligou e disse que a clínica estava em obra e que ele estava atendendo temporariamente em casa.”

Sem carteira assinada, ela recebia um salário de R$ 3 mil mais comissão sobre a captação de novos pacientes.

“Com o tempo, passei a notar que ele ficava com parte dos produtos que aplicava nas pacientes. No início, até achei que era normal, mas depois comecei a ver que isso sempre se repetia. Ele vendia 500ml de metacril, por cerca de R$ 10 mil, e aplicava 300ml. O restante do produto, ele vendia novamente para outras clientes”, conta a ex-funcionária.

A profissional também passou pelo procedimento de aplicação do produto,

“Fiz e me arrependo muito. Ele dizia que iria ajudar na divulgação do trabalho dele. Fiquei com as nádegas completamente deformadas e muito inflamadas. Ele disse que isso é normal em alguns casos. Tive, inclusive, que fazer um procedimento para tirar parte do produto.”

Ela também conta que Denis usava algumas estratégias para conseguir convencer as pacientes a fazerem a bioplastia com ele.

“Fazia uma pressão para as pacientes fecharem com ele os tratamentos, chegava a deixá-las por horas na clínica tentando convencer. Por inúmeras vezes, eu presenciei reclamações de pacientes que tiveram complicações.”

Wanessa também guardou um vídeo feito pelo médico em que ele mostra o momento da aplicação do produto em uma paciente. Logo no início das imagens Denis Furtado comenta: “Vai começar o show”.

“Tour médica” 

Em setembro do ano passado, Wanessa conta que o Doutor Bumbum anunciou em suas redes sociais que iniciaria uma “tour médica” para fazer bioplastia em alguns Estados do País.

“Fomos para São Paulo. Ele deu a mesma desculpa que a clínica estava em reforma e começamos a atender as clientes num quarto de hotel. Mas depois de uma semana, a direção do local nos expulsou. Eles encontraram muito lixo hospitalar. Ele agiu tranquilamente como se nada tivesse acontecido”, relembra Wanessa.

“Naquele momento, já estava desgastada com aquela situação. Ao chegarmos no Rio, foi a mesma história. Quando entrei na cobertura dele num condomínio, na Barra, foi a gota d’água. Liguei para o meu marido e ele foi me buscar.”

Wanessa descobriu que estava grávida e informou o médico. No primeiro momento, ele disse que acertaria o que ainda devia para ela, mas depois a excluiu te todas as suas redes.

“Tentei ainda entrar em contato, mas ele nunca mais me atendeu”, conta.

Na quinta-feira (18), a namorada de Denis, Renata Fernandes, de 19 anos, que estava presa desde o último domingo (15) na cela da 16ª DP (Barra da Tijuca), quando foi detida acusada de participar do procedimento estético que matou a bancária Lilian Calixto, foi transferida para o presídio em Benfica.

 

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