Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de março de 2018
Um novo método de ataque de negação de serviço distribuída (DDoS, na sigla em inglês) permitiu que hackers quebrassem o recorde de tráfego gerado em ataques desse tipo. O ataque, realizado contra o site Github, atingiu a marca de 1,35 Tbps, sendo o maior ataque desse tipo já registrado publicamente. A Akamai, que protegeu o Github contra o ataque, confirmou o volume de tráfego.
Ataques de negação de serviço tem por objetivo retirar um site do ar. Na modalidade de DDoS, o método usado para isso normalmente consiste em “inundar” um site com um grande volume de tráfego de dados ou acessos. Se o ataque for bem-sucedido, o site não conseguirá lidar com o volume de acessos falsos e acabará deixando de atender aos acessos legítimos feitos por internautas.
O Github chegou a sair brevemente do ar, mas a Akamai conseguiu dissipar o ataque. O Github publicou um comunicado oficial sobre o incidente e prometeu melhorias em sua rede. O tráfego gerado pelo ataque ao Github, de 1,3 Tbps, é suficiente para transmitir mais de seis lmes em alta definição e em alta qualidade em um só segundo. Esse nível de tráfego se aproxima dos pontos de interconexão de redes entre provedores. O recorde anterior, de 2016, atingiu 1,2 Tbps e conseguiu derrubar o provedor de internet Dyn, o que deixou indisponível uma série de sites da web, como Netix, Twitter, Amazon e PayPal.
O tráfego do ataque recente foi gerado usando amplificação através do memcached, um programa utilizado para acelerar o processamento de dados em servidores. Especialistas apostam que outros criminosos devem continuar recorrendo a esse método até que administradores de sistemas protejam suas instalações do memcached. Como a técnica é nova e os primeiros alertas foram divulgados esta semana, muitos sistemas estão vulneráveis.
Como o memcached não é usado em sistemas domésticos, esses computadores não foram envolvidos.
A negação de serviço é um ataque de “força bruta”: ele é facilmente detectado, então o objetivo é superar a capacidade da rede de defesa por um período prolongado a ponto de causar incômodos.
Para os criminosos, o desafio para a realização desses ataques é obter o controle de diversos computadores para que estes participem do ataque. O recorde anterior, de 1,2 Tbps, foi atingido pelo vírus Mirai, que criou uma rede mundial de câmeras de segurança infectadas para gerar o tráfego.
Em vez de depender apenas de uma grande rede de sistemas infectados, o ataque de 1,3 Tbps utilizou uma técnica chamada de “amplificação” ou “ataque refletido”.
A amplificação é um truque no qual os criminosos enviam certas requisições para serviços específicos na internet. Essas requisições são enviadas em nome do alvo, ou seja, a origem é falsa. O intuito é fazer com que as respostas dessas requisições sejam encaminhadas ao alvo. Se a requisição gerar mais tráfego do que o pedido, o criminoso efetivamente “amplificou” sua capacidade de ataque e os dados foram “refletidos” ao alvo.
É como se você soubesse que, enviando uma pequena carta a um determinado endereço, outras 10 cartas seriam enviadas ao endereço informado no remetente. Logo, bastaria o envio de algumas cartas com remetente falso para que aquele endereço fosse inundado de correspondência, sem que você mesmo tivesse que pagar por tantas cartas.
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