Domingo, 29 de Março de 2020

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Geral Uma pesquisa brasileira descobriu o primeiro protetor solar eficaz para os cabelos

O produto atua não apenas como um protetor químico dos cabelos, mas também físico. (Foto: Reprodução)

Não é difícil encontrar, em qualquer farmácia, uma série de protetores solares feitos especialmente para os cabelos. A questão é: eles de fato evitam que a radiação penetre nos fios? Segundo Ana Percebom, professora do Departamento de Química da PUC-Rio, a resposta é não.

“Os produtos hoje à venda só dão proteção contra vento e calor”, diz ela.

A professora explica que os protetores para cabelos existentes no mercado se concentram em evitar o ressecamento e a degradação da queratina do cabelo, mas não contêm os filtros contra UVA e UVB que são encontrados nos protetores solares aplicados na pele. Isso porque, caso contivessem esses filtros, os produtos deixariam o cabelo completamente oleoso, o que faria sua aceitação cair por terra.

Mas é aí que entra uma pesquisa realizada na PUC nos últimos dois anos, cujo principal resultado foi conseguir, com nanopartículas, encapsular o óleo contra radiação geralmente usado na pele de forma que ele seja liberado aos poucos ao longo dos fios. Com isso, não haveria sensação de oleosidade e os cabelos ficariam protegidos dos raios ultravioleta.

Ana Percebom foi a orientadora da pesquisa, que é resultado da dissertação de mestrado em Química de Amanda de Azevedo Stavale. O estudo foi apresentado no 31° Congresso Brasileiro de Cosmetologia, realizado de 22 a 24 de maio, em São Paulo, e está prestes a ser publicado em uma renomada revista científica da área.

“Não criamos uma nova substância, e sim uma nova formulação, um novo “veículo”, com o uso de nanopartículas que funcionam como cápsulas para a mesma substância que protege a pele”, explica Ana. “E fizemos adaptações específicas para essas cápsulas se depositarem bem na superfície do cabelo.”

Segundo a professora, o uso deste veículo faz com que o produto atue não apenas como um protetor químico, mas também físico, pois absorve e também reflete a radiação do sol, graças às nanopartículas, que atuam como se fossem minúsculos espelhos.

Os testes in vitro realizados mostraram que o produto alcança um nível de proteção equivalente ao FPS 15 –terminologia usada para se referir à proteção da pele.

“É um valor que consideramos de boa proteção”, diz Ana Percebom. “Isso, no entanto, não impede que a concentração seja aumentada para conseguir um percentual ainda maior de óleo e chegar a um FPS superior a 15.”

A professora afirma, ainda, que foram feitos testes que confirmaram a boa durabilidade do efeito de proteção do filtro, que também é à prova d’água.

“Aplicamos o produto em placas que simulam a superfície do cabelo e depois as colocamos de molho em água por 30 minutos. As análises das placas mostraram que o produto não saiu na água e ainda continuou ativo”, diz ela, destacando, porém, que o produto foi testado apenas com água pura, e não com água do mar ou com cloro.

A especialista destaca que, para o produto entrar no mercado, seriam necessários uma série de outros teste, inclusive em seres humanos. Até o momento, o protetor capilar so foi testado em laboratório.

Não há ainda previsão de alguma parceria com empresa de cosméticos para produzir em larga escala.

Ao apresentar os resultados à Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a resposta foi positiva:

“O estudo é muito interessante e traz uma esperança em relação aos filtros solares para cabelos. Porém, ainda é preliminar e necessita de mais testes clínicos em seres vivos”, comenta Bruna Duque Estrada, coordenadora do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD.

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