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Mundo A vacina ideal contra o coronavírus tem dose única e armazenamento de 2 a 8 graus, diz o Ministério da Saúde

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Governo, porém, não descartou a compra de imunizantes com outro padrão. (Foto: Reprodução)

O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros, disse nesta terça-feira (1º), que a vacina ideal contra a covid-19 seria de dose única e armazenada em temperatura de 2 a 8 graus. Ele ponderou que se trata de um “perfil desejado” e não descartou a compra de imunizantes que fujam deste padrão, como os produzidos pela Pfizer e pela Moderna, que já concluíram suas pesquisas e estão em fase de registro com as autoridades sanitárias dos Estados Unidos e da Europa.

As duas vacinas das farmacêuticas americanas precisam ser armazenadas a -70º e -20ºC, respectivamente. Ambas também exigem duas doses. O Brasil testa apenas uma vacina aplicada em dose única, a da Jhonson & Jhonson.

“Qual o perfil da vacina desejada? Claro, que confira proteção contra a doença. Que tenha elevada eficácia, segurança. Capaz de fazer indução da memória imunológica. Que tenha possibilidade de uso em diversas faixas etárias e em grupos populacionais”, afirmou Medeiros durante evento da pasta sobre combate à Aids.

O governo já expôs, anteriormente, preocupação sobre o armazenamento em temperaturas negativas, pois as unidades básicas de saúde só possuem refrigeradores para produtos que ficam em temperaturas mais altas, de 2 a 8 graus.

A Pfizer afirma que tem um “plano logístico” para apoiar o transporte e armazenamento das doses ao Sistema Único de Saúde (SUS), caso o ministério feche contrato com a companhia. “Para isso, foi desenvolvida uma espécie de contêiner (embalagem em formato de caixa) com temperatura controlada, que utiliza gelo seco para manter a condição de armazenamento recomendada, de – 75 °C, por até 15 dias”, diz a empresa em nota divulgada no começo do mês.

A aposta do governo, por enquanto, é no imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford (Reino Unido) e o laboratório AstraZeneca. O governo investiu cerca de R$ 2 bilhões para comprar 100 milhões de doses desta vacina, além de equipar a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório ligado ao Ministério da Saúde, para produção independente da droga. Esta vacina é armazenada em temperaturas de 2 a 8 graus, mas deve ser aplicada em mais de uma dose, segundo os estudos.

Em outra frente de atuação para encontrar uma vacina, o Brasil espera receber doses para 10% da população por meio do consórcio Covax Facility, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O País investiu R$ 2,5 bilhões para entrar no consórcio.

O Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, desenvolve a CoronaVac, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. O produto também está no “perfil desejado” do ministério para armazenamento, mas é aplicado em duas doses. Por disputa política com o governador paulista João Doria (PSDB), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez a Saúde negar que comprará doses deste imunizante.

Nesta terça, Medeiros disse que a vacina deve ser de tecnologia de produção barata e voltou a afirmar que o plano de imunização só deve ficar pronto após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrar as primeiras vacinas.

O plano do ministério tem dez eixos e está sendo discutido em grupos de trabalho. Na tarde desta terça-feira, técnicos do governo e de diversas entidades apresentam estudos feitos nestes grupos. Segundo Medeiros, a conversa ajudará a formar um “esboço” para o plano final. “Esse plano de operacionalização só ficará pronto, fechado, quanto tivermos uma vacina ou mais de uma registrada na Anvisa.”

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