Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020

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Mundo Vênus é um planeta russo, diz o chefe da agência espacial da Rússia

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Cientistas encontram evidências de um tipo de gás que pode vir de microrganismos e inauguram nova era de explorações extraterrestres. (Foto: Nasa/JPL-Caltech)

A recente descoberta de sinais de vida microbiana na atmosfera de Vênus potencializou o interesse pelo segundo planeta do Sistema Solar, com o anúncio de novas missões ao vizinho da Terra. O chefe da agência espacial russa, a Roscosmos, Dmitry Rogozin, no entanto, parece ter ido além do interesse: reivindicou ou o planeta para seu país.

Essa, ao menos, foi a interpretação de alguns diante de uma fala de Rogozin, na última terça-feira (15), um dia depois de cientistas anunciarem a presença de fosfina na atmosfera venusiana. “Acreditamos que Vênus seja um planeta russo”, afirmou à agência de notícias Tass, ao falar sobre os planos da Rússia para o planeta.

Guerra Fria

A fala de Rogozin talvez se ampare no fato de os russos terem sido os primeiros a enviar uma sonda para coletar dados de Vênus, a Venera-7, em dezembro de 1970. Na época, a extinta União Soviética e os Estados Unidos se enfrentavam na Guerra Fria, tendo nas conquistas especiais uma das principais formas de tentar demonstrar superioridade sobre o adversário.

Segundo o chefe da Roscosmos, o programa espacial russo vai focar Vênus até 2030. Segundo ele, uma missão em conjunto com os Estados Unidos, a Venera-D, deve enviar uma nova sonda ao planeta. “Também estamos considerando uma missão separada para Vênus”, acrescentou.

Vidas extraterrestre

O mito da vida extraterrestre povoa a imaginação humana há quase 2 mil anos. Um dos textos mais antigos sobre o tema foi escrito pelo prosador satírico Luciano de Samósata. Por volta de 161 d.C., ele concebeu sua obra mais conhecida, “Uma História Verdadeira”, que relata uma fantástica viagem do homem à Lua, que seria habitada por moscas do tamanho de elefantes, pássaros com três cabeças, feras de mil dentes e outros seres extravagantes.

Na era moderna, incontáveis autores, cientistas e pesquisadores de diferentes vertentes recorreram ao assunto, sempre para o delírio do público. Na maioria das vezes, os ETs são descritos como criaturas horrendas, quase sempre de cabeça imensa e antenas, além de possuírem invejável inteligência. No último dia 14, surgiu enfim uma das evidências mais sólidas sobre a vida em outros planetas. Sob diversos aspectos, a descoberta é extraordinária, mas ela pode significar uma decepção para os sonhadores: em vez de monstros horripilantes, nosso vizinho espacial deve ser um minúsculo micróbio.

A novidade: um pool de cientistas de diversos países publicou na revista científica Nature Astronomy um estudo que relata a descoberta de um gás na atmosfera de Vênus. A substância, chamada fosfina, existe também na Terra. Eis o pulo do gato: em ambiente terráqueo, a fosfina costuma ser produzida principalmente por micróbios. Portanto, se o gás venusiano tiver as mesmas origens, é possível conceber a ideia da existência de microrganismos vivos nas nuvens do planeta vizinho. No artigo, os especialistas afirmam que a quantidade de fosfina encontrada é 10 mil vezes maior do que seria possível se tivesse sido formada por processos não orgânicos, levando-os a sugerir a explicação biológica — ou seja, a vida como a conhecemos. Nunca a ciência esteve tão perto de encontrar ETs.

O achado provocou certo alvoroço na comunidade científica. “É a primeira alegação de assinatura biológica, isto é, de sinais do metabolismo de organismos vivos, que temos a respeito da atmosfera de outro planeta”, explica Fabio Rodrigues, professor de química da Universidade de São Paulo e especialista no assunto. “Isso já é um grande avanço por si só.” O estudo é resultado de anos de trabalho. Os pesquisadores vinham procurando por fosfina, considerada um possível indicador de atividade biológica extraterrena, desde 2016. A equipe se baseou principalmente em observações da superfície de Vênus. Para isso, utilizou dois telescópios, localizados no Havaí e no Chile, e reuniu as informações coletadas durante quatro anos para chegar à surpreendente conclusão. Uma das coautoras do estudo é a portuguesa Clara Sousa-Silva, de 33 anos, pesquisadora do MIT, instituto tecnológico de ponta dos Estados Unidos. Clara é tão obcecada pelo tema que seu apelido entre os pares cientistas é “doutora fosfina”.

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