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A Volkswagen diz estar próxima de acordo com a Ford sobre veículos sem motorista

Montadoras negociam aliança. (Foto: Reprodução)

As montadoras Volkswagen e Ford estão próximas de acertar uma parceria para o desenvolvimento de veículos que não precisam de motorista, afirmou o presidente-executivo do grupo alemão, nesta quinta-feira (13). As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

A Volkswagen e a segunda maior montadora dos Estados Unidos assinaram um acordo em março para desenvolverem uma picape e têm negociado ampliar a aliança para incluir veículos autônomos e serviços de mobilidade.

As discussões estão “indo bem e estão quase completas”, disse o presidente-executivo da Volkswagen, Herbert Diess, a cerca de 500 gestores da companhia que estão reunidos na sede do grupo alemão, em Wolfsburg.

A Ford afirmou que as negociações continuam e que vai divulgar detalhes quando eles forem definidos. “As discussões têm sido produtivas em uma série de áreas”, disse uma porta-voz da Ford em comunicado.

Mais cedo nesta semana, a Volkswagen anunciou fim de parceria com a companhia de software para direção autônoma Aurora. A dissolução da aliança ocorreu depois que a Aurora afirmou que vai criar plataformas para veículos comerciais autônomos com a Fiat Chrysler.

Enquanto isso, a subsidiária da Ford, Argo AI está criando um “motorista” autônomo que poderá competir com a tecnologia da Aurora.

Atrativos para o Brasil

O isolamento do Brasil e sua indústria automobilística dos avanços e mudanças globais no setor automotivo está tornando o País pouco atrativo para as grandes matrizes do segmento. A avaliação é do presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Philipp Schiemer.

“Não estamos prestando atenção no que está acontecendo no mundo. Os últimos anos foram bons para muitas empresas no sentido global, mas os novos desafios que estão aparecendo, de veículos autônomos, eletrificados, compartilhados, requerem investimento forte das matrizes”, afirma.

“As empresas vão olhar com muito mais cuidado onde investir o dinheiro, que está escasso, e não vão investir em países que não são competitivos. O Brasil está perdendo o trem do futuro e isso me preocupa”, acrescenta Schiemer, ao participar do Fórum Estadão Think na quarta-feira (12).

A falta de atratividade do Brasil passaria pelas incertezas econômicas e políticas que rondam o País, bem como por problemas estruturais, como o sistema tributário.

Segundo Antônio Filosa, presidente da FCA América Latina, dona da Fiat, o risco de investir em um País é aceitável para as matrizes quando os cenários político e econômico têm apoio em escala e há previsibilidade.

“No Brasil tem ‘gap’ [lacuna] de engenharia fiscal, de competitividade dos impostos não recuperáveis no momento da exportação e também de escala”, afirma.

Schiemer diz que o Brasil precisa “se abrir para o mundo”, não só na exportação, mas também na importação. “Não vamos ter todas as tecnologias aqui disponíveis em um primeiro momento. Se não temos acesso a essa tecnologia, a indústria aqui vai morrer.”

A exportação do setor automotivo brasileiro vem sofrendo com a crise na Argentina, principal destino dos carros produzidos no País.

De janeiro a maio, as exportações acumulam queda de 42%, na comparação com igual período de 2018, segundo dados da Anfavea (associação das montadoras). A fatia da Argentina nas vendas ao exterior caiu de 76% para 59%.

A indústria reconhece que não pode depender tanto das exportações ao vizinho. “As oportunidades lá fora são maiores do que a Argentina”, diz Filosa, citando como mercados potenciais para o País China, Colômbia e Peru.

“Mas, quando vamos competir nesses campos de batalha que têm nível de abertura elevado dos mercados, pagamos o problema da carga [tributária”, disse.

Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul, afirma que a tecnologia para fabricação de veículos é a mesma nas fábricas de uma empresa espalhadas pelos países. Ainda assim, segundo ele, a GM produz cerca de 600 mil unidades no Brasil e 900 mil no México.

“Quando vemos a decisão de acordo de livre comércio entre Brasil e México, nossa reação é: ‘Vou fazer no México e exportar para o Brasil’. Vários investimentos, de fato, têm que ser rediscutidos, mas a razão para isso é 100% tributária, porque do ponto de vista competitivo, é bem similar”, afirma.

Os executivos reconhecem a situação fiscal delicada do governo brasileiro e dizem que a ideia com mudanças no sistema tributário, por exemplo, não é reduzir arrecadação.

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