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O divórcio é “uma coisa feia” e não representa o “ideal de família”, disse o papa

“A homossexualidade é uma questão muito séria e que precisa ser identificada adequadamente", disse o pontífice. (Foto: Reprodução)

O papa Francisco afirmou nesta quarta-feira (29), durante sua audiência geral no Vaticano, que o divórcio é “uma coisa feia” e não representa o “ideal de família”. A declaração foi dada dias após o pontífice ter sido acusado de acobertar casos de abuso sexual pelo arcebispo italiano Carlo Maria Viganò.

“É uma moda, lemos até nas revistas: tal pessoa se divorciou. Por favor, isso é uma coisa feia. Eu respeito tudo, mas o ideal não é o divórcio, a separação, a destruição da família. O ideal é a família unida”, declarou Francisco, acrescentando que a humanidade necessita do “amor duradouro” que “nos salva da solidão em meio às mentiras da cultura do momentâneo”.

O pontífice é a favor da abertura da Igreja a divorciados e abordou o tema na exortação apostólica “Amoris laetitia” (“A alegria do amor”), que deu a cada paróquia o poder de decidir se pessoas que se separaram podem comungar. O documento rendeu ao papa acusações de “heresia” por parte de dezenas de padres conservadores e um questionamento público feito por quatro cardeais, incluindo o norte-americano Raymond Burke.

Declaração polêmica

Uma declaração do papa no retorno da visita à Irlanda, no domingo (26), tem gerado críticas de associações ligadas ao movimento LGBT. A jornalistas, o pontífice disse que pais e mães de crianças com “tendências homossexuais” deveriam submeter os filhos a tratamento psiquiátrico.

Na ocasião, em um voo para o Vaticano, o papa foi perguntado sobre o que diria a pais que percebem orientações homossexuais nos filhos. “Diria a eles, em primeiro lugar, que rezem, que não os condenem, que dialoguem, entendam, que deem espaço ao filho ou à filha”, respondeu.

“Quando isso se manifesta desde a infância, há muitas coisas para fazer por meio da psiquiatria, para ver como são as coisas. Outra coisa é quando isso se manifesta depois dos 20 anos”, acrescentou o papa. “Nunca direi que o silêncio é um remédio. Ignorar a seu filho ou sua filha com tendências homossexuais é um defeito de paternidade ou de maternidade.”

Em resposta, associações francesas LGBT chamaram as declarações do pontífice de “irresponsáveis”. “Condenamos estas declarações que fazem referência a uma ideia de que a homossexualidade é uma doença. Se há uma doença esta é a homofobia arraigaba na sociedade”, criticou Clémence Zamora-Cruz, porta-voz da associação Inter LGBT.

O pontífice também foi criticado nas redes sociais. No Twitter, a associação francesa SOS Homofobia chamou as palavras do papa de “graves e irresponsáveis” e que “incitam o ódio contra as pessoas LGBT na nossa sociedade, já marcada por alto nível de homofobia”.

Após repercussão nas redes sociais, o Vaticano retirou, na segunda-feira, a referência à psiquiatria na declaração dada, destacando que o sumo pontífice não quis abordar o tema como “uma doença psiquiátrica”. A palavra “psiquiatria” foi retirada do “verbatim” publicado pelo serviço de imprensa do Vaticano, “para não alterar o pensamento do papa”, explicou uma porta-voz do Vaticano.

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