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Leões devoram caçadores de rinocerontes na África do Sul

Caçadores encontraram um grupo grande de leões que vive no local. (Foto: Reprodução)

Pelo menos duas pessoas suspeitas de caça ilegal de rinocerontes foram atacadas e comidas por leões numa reserva da África do Sul, segundo autoridades do país.

Guardas locais descobriram os restos mortais num local habitado por leões na reserva Sibuya, próxima da cidade de Kenton-on-Sea, no sudeste do país. A Sibuya é considerada uma reserva de caça, onde alguns animais podem ser abatidos por caçadores regularizados.

Um rifle de alta potência e um machado também foram encontrados junto aos corpos.

A caça ilegal de rinocerontes explodiu no continente africano nos últimos anos, graças ao aumento da demanda pelos chifres dos animais em países asiáticos como a China. A medicina tradicional do país acredita – sem qualquer base científica – que o chifre de rinoceronte moído pode curar várias doenças. Na verdade, o chifre é feito de queratina, mesmo material das unhas e cabelos humanos.

Na China, no Vietnã e em outros países, acredita-se também que o chifre moído tenha propriedades afrodisíacas.

Criminosos invadiram

O dono da reserva Sibuya, Nick Fox, disse acreditar que os caçadores ilegais tenham entrado na reserva na madrugada de segunda-feira.

“Eles deram de cara com um grupo de leões. Como era um grupo grande, não tiveram muito tempo (para reagir)”, disse Fox à agência de notícias AFP.

“Não temos certeza de quantos caçadores eram – sobrou pouca coisa deles”, disse Fox.

Os restos mortais foram vistos pela primeira vez por volta das 16h30 (hora local) de terça-feira.

Uma equipe de guardas encontrou também alicates para cortar cercas – equipamento que geralmente é carregado pelos caçadores ilegais. Vários leões tiveram que ser sedados com dardos tranquilizantes antes que os restos pudessem ser recuperados.

A polícia local também passou a patrulhar a área, para o caso de algum outro caçador ilegal ser encontrado.

Só neste ano, nove rinocerontes foram mortos na província de Eastern Cape, onde está a reserva. E mais de 7 mil animais foram mortos na África do Sul na última década.

Rinoceronte-branco-do-norte

Em março morreu o último rinoceronte-branco-do-norte, depois de meses sofrendo com problemas de saúde. Sudan tinha 45 anos e vivia na reserva Ol Pejeta, no Quênia. Ele foi sacrificado quando as complicações decorrentes de sua idade avançada pioraram.

Com sua morte, restam agora apenas duas fêmeas da subespécie do mundo – a filha e a neta de Sudan.

“Sua morte é um símbolo cruel da falta de apreço do ser humano pela natureza”, diz Jan Stejskal, do Zoológico Dvur Kralove, na República Tcheca, onde Sudan viveu até 2009. “Isso entristeceu todos que o conheceram. Mas não devemos desistir”, disse Stejskal na época.

A única esperança de preservar a subespécie agora é com o uso de técnicas de fertilização in vitro.

“Precisamos aproveitar a possibilidade de usar tecnologias para preservar espécies ameaçadas de extinção. Pode parecer inacreditável, mas, graças a novas técnicas, Sudan ainda pode ter uma descendência”, diz ele.

A idade de Sudan era equivalente a 90 anos para um humano. Ele tinha se tornado o último macho de sua subespécie depois que um outro rinoceronte macho morreu em 2014.

O rinoceronte recebia tratamento para doenças degenerativas que atingiam seus músculos e ossos. Ele também tinha muitas feridas na pele. Nas suas últimas 24 horas de vida, ele não estava conseguindo ficar de pé e estava sofrendo muito. Assim, veterinários da reserva Ol Pejeta o sacrificaram para livrá-lo do sofrimento.

Raridade e extinção

Há cinco espécies do animal. O branco é dividido em duas subespécies: o branco-do-sul e o branco-do-norte – que é muito mais raro que o do sul e está em perigo crítico.

Os rinocerontes-brancos-do-norte viviam em Uganda, na República Centro Africana, no Sudão e no Chade e foram dizimados nos anos 1970 e 1980. Na época, a caça ilegal foi também estimulada pela demanda por chifres de rinoceronte para uso na medicina tradicional da China e para a produção de artefatos no Iêmen.

A última dúzia de rinocerontes-brancos-do-sul selvagens foi morta na República Democrática do Congo no começo dos anos 2000.

Em 2008, a subespécie foi considerada extinta na natureza pela WWF, entidade de preservação ambiental.

Em 2009, os últimos quatro rinocerontes da subespécie – dois machos e duas fêmeas – foram transferidos do zoológico da República Tcheca para a reserva no Quênia.

A esperança era de que o novo ambiente, mais parecido com o habitat natural dos bichos, encorajaria o cruzamento.

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