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Novos confrontos em Hong Kong entre manifestantes e a polícia

Polícia e manifestantes voltaram a se enfrentar neste sábado em Hong Kong. (Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters)

É o fim da relativa calma de 10 dias em Hong Kong: a polícia da ex-colônia britânica fez uso, neste sábado (24), de gás lacrimogêneo contra manifestantes radicais pró-democracia que lançaram projéteis. As informações são da agência de notícias AFP.

Esta região semiautônoma do sul da China atravessa desde junho sua mais séria crise política, desde sua retrocessão em 1997. Ações quase diárias são organizadas para denunciar a degradação das liberdades e a crescente interferência de Pequim.

Depois de uma série de episódios violentos, os protestos foram pacíficos nos últimos dias. Mas a tensão tomou conta neste sábado do distrito de Kwun Tong, no leste da parte continental de Hong Kong.

Após marchar pelo bairro, milhares de manifestantes vestidos de preto e muitos com máscaras de gás e capacetes foram bloqueados por dezenas de policiais.

Os manifestantes ergueram uma barricada em uma rua e lançaram insultos contra os policiais.

Depois de algumas horas, os radicais começaram a atirar garrafas na polícia. A resposta não demorou, com o disparo por parte dos agentes de granadas de gás lacrimogêneo.

Paralelepípedos desenterrados

Vários manifestantes foram presos, de acordo com um jornalista da AFP no local.

Depois de semanas de mobilização pacífica, as manifestações degeneraram entre o final de julho e início de agosto em confrontos entre os radicais e a força policial.

Além disso, houve o espancamento no aeroporto de Hong Kong de dois chineses suspeitos de serem espiões de Pequim. O incidente gerou acusações pelas autoridades chinesas de terrorismo e ameaças crescentes de intervenção militar.

No domingo passado, uma grande marcha pacífica foi organizada na antiga colônia britânica, reunindo 1,7 milhão de pessoas segundo seus organizadores.

“O pacifismo não vai resolver o problema”, retrucou neste sábado um dos manifestantes.

A mobilização teve início em junho em rejeição a um projeto de lei local apoiado por Pequim, que visava permitir as extradições para a China continental. Desde então, o movimento expandiu consideravelmente suas demandas.

Os manifestantes têm cinco exigências fundamentais, incluindo o total abandono da lei de extradição, a renúncia da chefe do Executivo local Carrie Lam e uma investigação sobre o uso da força pela polícia.

Ao cair da noite neste sábado, os manifestantes arrancavam paralelepípedos e erguiam barreiras de metal, obviamente determinados a continuar o enfrentamento.

“Foi o governo que recusou o diálogo com os manifestantes”, disse à AFP um manifestante que pediu para permanecer anônimo.

“Eu não vejo nenhum futuro com este regime, é por isso que estou cada vez mais na linha de frente nas manifestações”.

“Os jovens que estão nas ruas estão colocando seu futuro em risco, e isso por Hong Kong”, disse Dee Cheung, de 65 anos.

“Nós não concordamos com tudo o que eles fazem, especialmente com aqueles que atacam a polícia. Mas também temos que questionar o por que eles fazem isso”.

Por sua vez, a família de Simon Cheng, funcionário do consulado britânico que havia sido preso na China continental, anunciou neste sábado seu retorno a Hong Kong.

As relações sino-britânicas estão tensas desde o início dos protestos em junho, com Pequim acusando Londres de interferir em seus assuntos internos.

O governo chinês havia indicado que o funcionário consular estava em detenção administrativa por 15 dias, sem apresentar razões.

A imprensa chinesa informou que o motivo da prisão foi que Cheng “solicitou prostitutas”. Sua família denunciou acusações “falsas”.

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