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O consumo excessivo de álcool em um curto espaço de tempo aumenta o risco de AVC e infarto

Altas quantidades de álcool de uma vez só aumentam pressão arterial, colesterol e nível de glicose de sangue, diz estudo. (Foto: Reprodução)

Uma pesquisa publicada no “Journal of American Heart Association” mostra que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas em um curto período de tempo está associado ao desenvolvimento de pressão alta, colesterol alto e maior quantidade de açúcar no sangue em pessoas mais jovens.
Esses fatores aumentam o risco de problemas cardiovasculares como o infarto e o AVC (Acidente Vascular Cerebral).

O estudo também se soma a outras evidências que mostraram, por exemplo, que o desenvolvimento de hipertensão antes dos 45 anos está associado a riscos significativamente maiores de morte cardiovascular mais tarde na vida.

O estudo analisou dados de 4.710 adultos com idades entre 18 e 45 anos. Os participantes foram classificados como não-bebedores, bebedores compulsivos (muito consumo de bebida 12 vezes por ano) e bebedores compulsivos de alta frequência (mais de 12 vezes por ano).

O consumo excessivo de álcool de alta frequência foi relatado por 25,1% dos homens e 11,8% das mulheres. Já o consumo de 12 vezes por ano, foi relatado 29% dos homens e 25,1% das mulheres.

Gêneros

O estudo também encontrou diferenças em como o consumo excessivo de álcool afeta homens e mulheres jovens.

Os homens apresentaram maior pressão arterial e colesterol total. Já elas, tinham níveis mais altos de açúcar no sangue quando comparadas às que beberam com moderação.

Os pesquisadores relatam que um em cada cinco jovens universitários relata consumo excessivo – com três ou mais episódios de bebedeira nas duas semanas anteriores. Em cada episódio, eles consomem de seis a sete drinques.

Segundo o estudo, em comparação a gerações anteriores, a regularidade e a intensidade do consumo de álcool podem colocar jovens em maiores riscos de danos relacionados ao álcool.

Amamentação

Uma pesquisa da Universidade Macquarie, na Austrália, mostra déficit cognitivo e menor raciocínio não verbal em filhos de mães que consumiram álcool durante a amamentação.

No estudo, publicado na edição de 30 de julho da revista Pediatrics, pesquisadores acompanharam mais de 5 mil crianças nascidas em 2004 e observaram muitos prejuízos no cérebro delas ao atingirem os sete anos de idade.

O professor Erickson Furtado, especialista em saúde mental e problemas com abuso de álcool e drogas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, comenta os resultados da pesquisa australiana e alerta a população sobre os riscos para as crianças.

Furtado lembra que ainda hoje existe o mito de que bebida alcoólica aumenta a produção de leite, e faz uma ressalva: “Mesmo as pequenas quantidades são passadas ao leite e o bebê não tem a mesma capacidade do adulto para metabolizar o álcool”.

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