Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de janeiro de 2020
O anúncio do príncipe Harry e de sua mulher, Meghan Markle, de se afastarem de seus deveres como parte da família real britânica surpreendeu muita gente, mas a decisão foi precedida por diversos sinais — alguns deles públicos. O casal divulgou um comunicado nesta quarta-feira (8/1) no qual anunciam que deixarão de ser membros seniores da realeza britânica.
“Depois de muitos meses de reflexão e discussões internas, nós decidimos fazer uma transição neste ano, começando a desempenhar um novo papel progressivo dentro desta instituição.” O casal, que teve recentemente um filho, Archie, afirmou ter objetivo de “trabalhar a fim de ser financeiramente independente”.
Além disso, disseram que dividirão seu tempo entre o Reino Unido e a América do Norte. “Esse equilíbrio geográfico nos permitirá criar nosso filho com apreço pela tradição real na qual ele nasceu, mas também dará à nossa família o espaço necessário para nos concentrarmos em nossos próximos passos, incluindo o lançamento de uma nova entidade beneficente.”
Como chegaram a esse ponto?
A decisão do duque e da duquesa de Sussex foi tomada, como disseram, depois de meses de reflexão e debate dentro da família.
Mas só em outubro passado o público britânico teve informações sobre o pensamento do casal, por meio de um documentário da rede ITV produzido durante um tour deles pela África.
No material, Meghan afirma que a adaptação da vida real havia sido muito “difícil” e que não estava preparada para o nível de escrutínio intenso da mídia, apesar dos alertas dados por seus amigos britânicos de que os periódicos poderiam “destruir” sua vida.
Perguntada sobre como Harry lidava com a situação, Meghan afirmou: “Eu digo há muito tempo a H — é que o chamo —, que não é suficiente apenas sobreviver a algo, esse não é o objetivo da vida. Você tem que evoluir.”
No documentário, o príncipe Harry também descreve o estado de sua saúde mental e a maneira como lida com as pressões de sua vida como uma questão que exige “cuidados constantes”.
“Eu pensei que estava fora de perigo e, de repente, tudo voltou, e isso é algo que tenho de gerenciar. Parte desse trabalho significa ter de manter a compostura, mas, para mim e minha mulher, há muitas coisas (divulgadas pela mídia) que machucam, especialmente quando a maior parte não é verdadeira.”
Foi uma decisão em família?
A resposta mais provável a esta pergunta é “não”. A BBC apurou que nenhum outro membro da realeza foi consultado sobre a decisão, nem mesmo a rainha Elizabeth 2ª ou o irmão, príncipe William, antes da divulgação do comunicado na quarta-feira. Um porta-voz do palácio real afirmou à BBC que a família estava “decepcionada”.
Segundo ele, as discussões com o casal estão agora em um estágio inicial: “Entendemos seu desejo de adotar uma abordagem diferente, mas esses são problemas complicados que levarão tempo para serem resolvidos”. Para Jonny Dymond, da BBC, a ausência de consulta prévia provavelmente causará estragos.
Esta foi uma decisão sem precedentes?
Dickie Arbiter, ex-funcionário de comunicação do Palácio de Buckingham, comparou a decisão do casal à abdicação de Eduardo 8º em 1936, que deixou a coroa para se casar com a americana Wallis Simpson, que já havia se divorciado duas vezes. “Esse é o único outro precedente, mas não havia nada como isso na história recente”, afirmou. Para ele, a decisão mostra que o príncipe Harry está deixando “a emoção comandar a razão” e que o “massacre” da imprensa no nascimento do filho do casal pode ter tido papel importante na decisão.
O que acontece agora?
O casal disse que dividiria seu tempo entre Reino Unido e a América do Norte, e também anunciou o lançamento de uma nova instituição de caridade. Mas o local e o objetivo da nova entidade não estão claros. Durante o Natal, o casal se afastou temporariamente de suas funções reais para passar algum tempo no Canadá com seu filho, Archie, nascido em maio.
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