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Mundo A China e a Rússia estão à frente na disputa pela vacina do coronavírus fugindo das regras já consagradas

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O crescimento de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês no terceiro trimestre, na comparação com igual período de 2019, reforçou esse cenário. (Foto: Reprodução)

China e Rússia começaram a introduzir em massa suas vacinas contra o novo coronavírus antes de todos os testes clínicos estarem concluídos, o que vem se tornando um desafio geopolítico inesperadamente complexo para os Estados Unidos.

O laboratório chinês Sinopharm anunciou esta semana que vai oferecer doses de emergência de uma das suas duas vacinas sendo testadas para os Emirados Árabes Unidos, priorizando o aliado dos Estados Unidos em relação a vasta maioria de chineses. A China agora é a única fornecedora da vacina para o Oriente Médio.

Por outro lado, nesta semana, o fundo soberano da Rússia fechou contrato para o fornecimento de 100 milhões de doses da vacina Sputnik V para a Índia.

Esses avanços têm deixado as autoridades políticas ocidentais desconcertadas. Especialistas da área da saúde afirmam que os Estados Unidos não devem se apressar para lançar sua própria vacina, em resposta. Mas o fato é que agora China e Rússia são os únicos países fazendo uso desse instrumento diplomático valioso durante os próximos meses.

O resultado é que, no próximo ano, os dois países podem ter acumulado um significativo poder geopolítico se evadindo das regras existentes e lançando suas próprias vacinas. É possível também que suas vacinas falhem, com um enorme custo humano.

“É realmente insano e uma ideia terrível”, afirmou Arthur Caplan, chefe da divisão de ética médica na Grossman School of Medicine da universidade de Nova York, referindo-se ao fato de China e Rússia não aguardarem os resultados da fase 3 dos testes. “É extremamente difícil de entender”.

Kirill Dmitriev, diretor do Russian Direct Investment Fund, que bancou os esforços para produzir a vacina russa, disse que a decisão de lançar a Sputnik V antes da conclusão da fase 3 foi aprovada por outros países que agora vêm agindo da mesma maneira.

“A crítica é de que não se pode registrar uma vacina antes da fase 3. Mas a China registrou uma vacina e os Emirados Árabes registraram uma vacina, antes de completada a terceira fase. E Estados Unidos e Grã-Bretanha declararam publicamente que estão pensando em registrar uma vacina antes da Fase 3. Portanto esta parte da crítica está encerrada.”

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump tem feito pressão no sentido de se lançar uma vacina americana mais rápido, apesar de os laboratórios americanos serem contrários à ideia de contornar os protocolos de segurança estabelecidos.

Centenas de milhares de pessoas na China, incluindo diplomatas, militares, trabalhadores da área da saúde e funcionários de estatais, receberam a vacina da Sinopharm segundo notícias na mídia oficial chinesa. Mas mesmo com o resto do país aguardando para ser vacinado, Pequim já vem enviando a vacina para regiões do exterior onde pretende expandir sua influência.

Além da colaboração com os Emirados Árabes, a Sinopharm também vem realizando a fase 3 de testes na Jordânia e no Bahrein.

O Egito anunciou em 11 de setembro que iniciará testes com uma vacina, três dias depois de o laboratório britânico-sueco AstraZeneca interromper os testes clínicos devido “a uma enfermidade potencialmente inexplicável”. Os testes depois foram retomados, mas não nos Estados Unidos. O Egito firmou um contrato com a AstraZeneca em julho para compra de 30 milhões de doses da vacina.

Em Moscou, as autoridades afirmaram esta semana que doses iniciais da Sputnik V foram fornecidas para todas as regiões da Rússia e os primeiros a receberem a vacina são os trabalhadores da área médica e professores. Índia, Brasil, México e Cazaquistão também fecharam contratos de compra da Sputnik V.

No caso da China, a aposta é enorme. Sendo o país de origem do novo coronavírus, a China procurou reparar o dano e refrear a fúria internacional. Mas alguns dos esforços que empreendeu anteriormente falharam, como ocorreu quando toneladas de máscaras e outros equipamentos de proteção pessoal exportados da China apresentaram defeitos.

No caso da vacina, as apostas são ainda mais altas. Médicos afirmam que o risco de raros, mas severos, efeitos colaterais, não se verificou em testes realizados em menor escala, por isto os testes em larga escala da fase 3 são realizados normalmente durante meses antes de uma vacina ser aprovada para venda. Problemas de segurança também podem surgir por causa da produção apressada.

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