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Mundo A família é dor de cabeça para Donald Trump

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Decisão de deixar filhos à frente de empresas gera riscos para Trump. Além disso, participação de familiares no governo pode representar violação da legislação. (Foto: Reprodução)

Celebrada por seus aliados na campanha como um dos trunfos de Donald Trump, a família do presidente eleito se tornou, às vésperas da posse, uma dor de cabeça para o republicano. Desde o anúncio de sua intenção de efetivar o genro, Jared Kushner, 35 anos, como conselheiro-sênior da Casa Branca, aumentaram as críticas de nepotismo e a desconfiança até mesmo do diretor do Departamento de Ética Pública, Walter M. Shaub Jr., criticado pelos republicanos por se manifestar contra a solução encontrada para separar os interesses das Organizações Trump dos interesses do governo americano.

Os advogados de Trump anunciaram que ele não pretende “destruir seu império da construção civil”. O comando das organizações ficará, por isso, com os filhos Donald Jr., 39, e Eric, 33, enquanto Ivanka, 35, também filha do primeiro casamento do magnata, se desligará da empresa para acompanhar o marido e auxiliar o pai no governo, em cargo ainda não definido.

“Trump é uma pessoa e um político pouco convencional. Nenhuma das regras que regem a política americana aplicaram-se a ele”, afirma Salo V. Coslovsky, professor de Desenvolvimento Internacional da Escola Wagner da Universidade de Nova York. “Para vários especialistas, as nomeações de familiares ferem a legislação, e o conflito de interesses pode ser inconstitucional. Manter as empresas em seu nome, sendo geridas pelos filhos, não ameniza o problema.”

Risco de violar a Constituição

O Instituto Brookings, em recente estudo, alerta que os riscos de Trump violar a Constituição americana vão da possibilidade de um diplomata estrangeiro se hospedar em um dos hotéis da bandeira Trump até a confirmação de lucro em suas empresas – ainda que comandadas pelos filhos – gerado por negócios com cidadãos ou governos estrangeiros.

Assim como o presidente eleito, Kushner é um empreendedor do mercado imobiliário. Logo após o anúncio de que Trump o quer ao seu lado na Casa Branca, Kushner seguiu o exemplo do sogro e iniciou seu desligamento das suas empresas, que serão comandadas pelo pai e os irmãos. A mulher, Ivanka, se desligará da marca Trump, incluindo o Trump International Hotel na capital, e de seus negócios na área da moda para se dedicar ao governo. O casal, que tem três filhos, teria comprado uma propriedade na capital do país estimada em 5,6 milhões de dólares. A “Vanity Fair” os elegeu o “casal mais poderoso” da nova Washington.

Complicações à vista

O jovem empresário é visto como o elo entre Trump e o governo de Israel, já que os Kushner são próximos dos Netanyahu. Ivanka, por sua vez, participou de reuniões do pai com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e com o ex-vice-presidente Al Gore, e recebeu de Trump a incumbência de tratar com a líder da minoria na Casa dos Representantes, Nancy Pelosi, em discussões sobre o meio ambiente e os direitos das mulheres. São dois dos temas que devem ficar sob sua guarda no governo.

Ivanka deve ser a primeira-filha mais ativa da história política americana recente, e seus advogados afirmam que a legislação contra o nepotismo se restringe a posições com status ministerial e de comando de agências federais. Esta visão, no entanto, não é unânime no meio jurídico nos EUA.
Além de Barron, 10 anos, filho da futura primeira-dama Melania, Trump tem ainda a filha Tiffany, 23, de seu casamento com a atriz Marla Maples.

A “New Yorker” e o “New York Times” alertaram que os riscos de uma crise constitucional por conta do envolvimento da família Trump com os negócios enquanto o patriarca comanda a Casa Branca pode ser um complicador para o presidente já nos primeiros meses de seu governo.

Em um tom mais leve, a polêmica gerou, nas redes sociais, ironias com um dos motes da candidatura Trump. “Vamos tornar a América grande novamente” deveria ser trocada, protestaram eleitores democratas, já dando o tom da oposição à nova administração, por “vamos tornar as Organizações Trump grandes novamente”. (AG)

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