Terça-feira, 11 de Maio de 2021

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Mundo A nova vice-presidente dos Estados Unidos deverá assumir o papel de conselheira que Biden teve com Obama

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Aos 56 anos, Kamala Harris tem muito em comum com Obama para ajudar Biden em seu desafio de unir o país. (Foto: Divulgação)

A eleição de Joe Biden nos EUA embute a inédita chegada de uma mulher negra ao posto de vice-presidente de uma potência global marcada pelo racismo. Esse feito, no ano em que o assassinato de George Floyd escancarou a persistente vulnerabilidade de vidas negras, dá nova chance ao país de alcançar uma democracia baseada na diversidade.

Esse projeto foi personificado por Barack Obama. Com todos os méritos e limitações de seu governo, ele construiu uma liderança marcante, equilibrada, admirada nos EUA e no mundo, sem comprometê-la com qualquer desvio de caráter.

Preparado e dono de um carisma ímpar, naturalizou a cena em que o negro está na ponta da mesa — e não à toa se deixou fotografar muitas vezes diante de crianças negras entusiasmadas com a constatação de que o presidente tem a pele e o cabelo como os delas. Com a mulher, Michelle, e as filhas, legitimou sua família como um também possível retrato da América.

Mas o encanto foi quebrado por Donald Trump, que sintetiza outra face americana: a dos que temem perder privilégios diante das inevitáveis mudanças demográficas. A votação apertada mostra que esse reacionarismo está vivo e não vai facilitar as coisas.

Aos 56 anos, Kamala Harris tem muito em comum com Obama para ajudar Biden em seu desafio de unir o país. Também filha de imigrantes, é uma advogada destacada no primeiro mandato no Senado com um currículo de promotora dura contra o crime. Seu magnetismo pode ser comparado ao do ex-presidente no recorrente sorriso, que soube usar no debate com o vice de Trump, Mike Pence, para frisar que estava com a palavra.

Ela tem algo a mais: é a mulher que chegou mais perto da Presidência, que poderá postular já em 2024. Como Biden foi para Obama, deverá ser “a última pessoa na sala”, a principal conselheira do novo presidente. Será outro símbolo da diversidade no poder.

Não foi à toa que o comentarista da CNN Van Jones chorou no ar quando a vitória de Biden e Harris foi anunciada. Com emoção distinta da de seus colegas de bancada brancos, ele disse que o resultado torna mais fácil ser um pai negro como ele nos EUA. Quis dizer que representatividade importa.

Para o Brasil

Especialistas alertam que a vitória do democrata Joe Biden nas eleições americanas pode ser uma excelente notícia para o Brasil. A conta que se faz é bem simples, explica Rogério Studart, economista que mora nos EUA e já foi diretor do Banco Mundial e representante do Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID): se o Brasil optar por alianças pragmáticas e não ideológicas e elaborar uma estratégia de desenvolvimento sustentável, até 2030, teria um crescimento adicional estimado em US$ 500 bilhões.

Esse foi o resultado de um estudo do qual Studart participou e tem apresentado em vários fóruns, entre eles na recente semana verde organizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). A conclusão central do trabalho é de que o Brasil tem recursos e capacidades para se tornar um “big player” do que economistas têm chamado de “guerra verde”. O cenário diverge totalmente de uma nova Guerra Fria, desta vez entre EUA e China. Hoje, a disputa é por influência na região, e a China já está posicionada e tem defendido modelos de desenvolvimento sustentável, até mesmo nas Nações Unidas. Com um governo democrata, os EUA disputariam espaços de influência e o Brasil tem potencial para ser parceiro de ambos.

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