Domingo, 16 de Maio de 2021

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Política A Polícia Federal decide trocar seu superintendente no Amazonas

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Superintendente será substituído pelo delegado Leandro Almada, na foto. (Foto: Divulgação)

O superintendente da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Saraiva, foi substituído um dia após ter enviado ao STF notícia-crime contra o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa em caso ligado a extração ilegal de madeira na Amazônia no final de 2020.

O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, decidiu trocar a chefia da superintendência do Amazonas, substituindo o atual ocupante do cargo, Alexandre Saraiva, pelo delegado Leandro Almada. A decisão sobre a mudança foi tomada anteontem, mesmo dia em que Saraiva enviou ao Supremo Tribunal Federal notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa.

Na peça enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal), Saraiva acusa Salles e o senador Telmário Mota (PROS-RR) de atuar em favor de investigados da Operação Handroanthus GLO, que mirou extração ilegal de madeira na Amazônia, no fim do ano passado.

Segundo a queixa-crime, além de dificultar a ação de fiscalização ambiental, Salles “patrocina interesses privados (de madeireiros investigados) e ilegítimos no âmbito da administração pública” e integra, “na qualidade de braço forte do Estado, organização criminosa orquestrada por madeireiros alvo da Operação Handroanthus com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza”.

O ministro foi questionado sobre o assunto ontem, mas não havia se manifestado até a conclusão desta edição. Telmário Mota criticou Saraiva, a quem chamou de “delegado xiita”. “Em momento algum pratiquei as condutas descritas”, afirmou o parlamentar.

A PF informou que Saraiva foi comunicado da sua substituição no decorrer da tarde de anteontem, antes da apresentação da queixa-crime. O delegado negou. “O documento que apresentei tem 38 páginas e ele é muito complexo, não daria tempo pra fazer isso tão rápido”, disse ele.

Saraiva declarou ainda que apenas recebeu a ligação de um “amigo” perguntando se ele aceitaria uma adidância. “Isso nem de longe é informar que vou sair, não disse nem quando nem onde”, afirmou. “Só tem duas formas de me comunicar oficialmente: ou meu chefe me liga, pelo princípio da hierarquia, que é o diretor-geral, ou publicação no Diário Oficial”.

Líderes de oposição na Câmara fizeram uma representação na Procuradoria-Geral da República contra o ministro da Justiça, Anderson Torres, e Maiurino. Os congressistas querem que a Procuradoria investigue a dupla por causa da remoção de Saraiva.

Sucessor de Saraiva, Almada já atuou como número 2 do atual chefe da PF no Amazonas e foi responsável pelo grupo de investigações ambientais sensíveis na superintendência.

Moro

Saraiva está há quatro anos na chefia da PF do Amazonas e já houve ensaios para sua saída da superintendência. O delegado foi o pivô da primeira crise entre o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, em 2019. Na ocasião, após Bolsonaro antecipar a saída do delegado Ricardo Saadi da superintendência da PF no Rio e a corporação indicar que Carlos Oliveira iria para a vaga, o presidente afirmou que “ficou sabendo” que Saraiva iria assumir o posto.

“Se ele (Moro) resolver mudar, vai ter que falar comigo. Quem manda sou eu”, afirmou Bolsonaro na época. Saraiva chegou a prestar depoimento sobre o caso no inquérito aberto para investigar suposta interferência do presidente na PF.

Desde que tomou posse na direção da PF, dia 8, Maiurino fez mudanças nas superintendências de São Paulo, Santa Catarina e Bahia. Também haverá troca em Roraima, que passará a ser comandada por José Roberto Peres – atual coordenador-geral de Defesa Institucional da corporação.

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