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Notícias A procuradora-geral pediu a devolução de 19 milhões de reais usados por Lula durante a campanha presidencial

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A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também atua como procuradora-geral Eleitoral. (Foto: Antonio Augusto/PGR)

A procuradora-geral Eleitoral, Raquel Dodge, pediu nesta sexta-feira que a coligação O Povo Feliz de Novo, que teve Fernando Haddad (PT) como candidato à Presidência, devolva ao Fundo Partidário os valores gastos para financiar a campanha presidencial enquanto o ex-presidente Lula figurou como candidato.

O pedido foi feito na ação que analisa as contas de campanha apresentadas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pela coligação. De acordo com Dodge, parte do dinheiro público foi utilizado “indevidamente e representa gastos ilegais, uma vez que – como já havia sido condenado em segunda instância – Lula sabia que era inelegível e assumiu o risco ao requerer o registro de candidatura”.

A coligação informou que no período em que o ex-presidente encabeçou a chapa presidencial foram gastos R$ 19,4 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

A titular do MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu que o valor utilizado no período em que Lula era candidato seja restituído com juros e correção monetária. O objetivo da medida, segundo a procuradora-geral Eleitoral, é evitar que recursos públicos sejam utilizados por candidatos “manifestamente inelegíveis”.

No documento, a procuradora-geral Eleitoral diz que são passíveis de devolução os valores dos fundos usados “para promoção político-eleitoral direta e indireta”.
De acordo com Dodge, o dinheiro gasto com o deslocamento, com os eventos do então candidato a vice-presidente, Fernando Haddad, despesas com telefonia, pesquisas e testes eleitorais são considerados como “utilização indevida” de recursos do fundo.

Para ela, a obrigação de restituir os recursos é evidenciada “pelo fato de que a campanha ilegal foi prorrogada o máximo possível: somente no último dia de prazo recursal foi solicitada a substituição de Lula”.

Dodge ainda sustenta que houve má-fé por parte de Lula ao concorrer ao cargo. Ela apontou que o pedido de registro de candidatura teve efeito apenas protelatório.

O ex-presidente já estava preso, cumprindo pena pela condenação em segunda instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

O objetivo, segundo Raquel Dodge, era manipular os eleitores pela eventual continuidade do futuro candidato substituto e viabilizar o gasto desnecessário de verba pública. O entendimento é de que tudo foi feito “em prejuízo da isonomia entre os candidatos, da normalidade e legitimidade do pleito e da salvaguarda do erário, bem como do exercício consciente do sufrágio”.

Raquel Dodge também destaca que os atos de campanha, como a caravana feita pelo interior do país na pré-campanha, não “o exime de responsabilidade” pelo gasto de verbas públicas.

“Tornar legítimo o dispêndio de verbas públicas com a candidatura ilegal seria solapar de vez o princípio republicano e criar inédita hipótese de irresponsabilidade na gestão de verbas públicas”, enfatiza a procuradora-geral Eleitoral.

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