Quarta-feira, 27 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Ciência Astrônomos desvendam o mistério da formação de dunas em Plutão

Compartilhe esta notícia:

Até então, dunas só eram reconhecidas como existentes na Terra, em Marte, em Vênus, em Titã - a maior das luas de Saturno - e no cometa 67P. (Foto: Nasa)

Em julho de 2015, ao observarem os registros feitos pela missão não tripulada New Horizons, que sobrevoou Plutão, cientistas da Nasa, a agência espacial americana, ficaram intrigados: estranhamente, entre montanhas e glaciares, havia dunas no planeta-anão.

Para que dunas sejam formadas, é necessário que haja vento – e com um mínimo de intensidade. Mas a atmosfera de Plutão é 100 mil vezes menos densa do que a da Terra, rarefeita demais para abrigar fortes correntes de ar.

Então, afinal, como teriam se formado as dunas de Plutão? A resposta parece ter sido finalmente encontrada a partir de um estudo realizado por uma equipe internacional e interdisciplinar de especialistas – geógrafos, físicos e astrônomos -, liderada pelo professor e pesquisador Matt Telfer, da Universidade de Plymouth, do Reino Unido.

A partir das imagens captadas pela New Horizons e fornecidas pela Nasa, eles realizaram uma análise detalhada da superfície de Plutão. E, graças a recursos de modelagem por computador, conseguiram projetar como se deu a formação das misteriosas dunas.

Em artigo que será publicado na revista Science nesta sexta-feira, eles anunciaram a descoberta de que as dunas de Plutão ocorrem em uma camada de gelo ao lado de uma cordilheira. Mais especificamente, em uma área de 75 quilômetros de diâmetro, próxima à vasta planície batizada de Sputnik Planitia.

Até então, dunas só eram reconhecidas como existentes na Terra, em Marte, em Vênus, em Titã – a maior das luas de Saturno – e no cometa 67P. Com a sublimação do nitrogênio de Plutão, ou seja, a conversão do nitrogênio sólido diretamente em gás, os cientistas concluíram que pequenas partículas de metano acabam sendo lançadas na atmosfera do planeta. (Plutão é composto basicamente de nitrogênio, metano e monóxido de carbono.)

Protegidos por essa cordilheira e conduzidos por oscilações de temperatura, esses grãozinhos se comportam de modo semelhante à nossa areia no deserto, formando, assim, as dunas.

Ventos fracos

Os ventos dessa região existem e chegam a, no máximo, 40 quilômetros por hora. Os pesquisadores concluíram que, por conta do ar rarefeito e da gravidade muito mais baixa que a da Terra, ventos até 100 vezes mais fracos do que o necessário para formar dunas por aqui já seriam suficientes para formá-las em Plutão. Além disso, os grãos de gelo da superfície têm seus gradientes de temperatura influenciados pela radiação solar, favorecendo essa movimentação.

Entre a cordilheira e a camada de gelo, as tais dunas ficam sedimentadas. No estudo, analisando as formações rochosas do planeta, os cientistas também concluíram que esse fenômeno não ocorre desde sempre. Teria se iniciado há 500 mil anos.

De acordo com o professor Telfer, é de se supor que todo corpo do Sistema Solar com atmosfera e superfície rochosa tenha dunas. A questão é justamente explicar a formação de tais estruturas em locais quase sem atmosfera e com temperatura média tão baixa – em Plutão, cerca de 230ºC negativos.

A equipe, formada por cientistas da Universidade de Plymouth (Reino Unido), da Universidade de Colônia (Alemanha) e Universidade de Brigham Young (Estados Unidos) deve continuar analisando imagens colhidas pela New Horizons, buscando compreender mais sobre as formações geológicas do planeta.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Ciência

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

A Nasa encontrou um pulsar de raios X em uma órbita recorde
Cientistas criaram um método para imprimir córneas para transplante em impressoras 3D
Pode te interessar