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Saúde Até agora nenhum medicamento para o coronavírus tem efeito comprovado

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Estudo ressalta que a pandemia de covid-19 é a maior crise global de saúde pública desta geração e, potencialmente, a maior desde a gripe espanhola de 1918. (Foto: Fiocruz/Arquivo)

Ainda não há medicamento com eficácia comprovada contra a covid-19, revelou um estudo da Universidade do Texas, feito a pedido da Associação Médica Americana (AMA). A pesquisa fez uma revisão em 109 testes clínicos já realizados com drogas em adultos infectados pelo novo coronavírus e concluiu que nenhum deles apresentou resultados sólidos até o momento.

O único medicamento que se mostrou um pouco mais promissor é o antiviral remdesivir — utilizado para tratar Mers e ebola. O tratamento, porém, ainda passa por estudos randomizados, quando os pacientes são escolhidos aleatoriamente e há um grupo controle, que recebe placebo.

Essa etapa é considerada essencial para comprovação científica da eficácia de qualquer tratamento médico. O remédio também carece de aprovação da agência reguladora de alimentos e drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês).

Os testes com a cloroquina e a hidroxicloroquina também foram avaliados na revisão, publicada no início da semana no periódico Jama, ligado à associação médica. Visto com entusiasmo pelo presidente Jair Bolsonaro e administrado em pacientes no Brasil, o tratamento não possui qualquer evidência consistente de seu êxito no combate à doença, na análise dos pesquisadores.

Eles reconheceram que houve “resultados promissores” em testes na China e na França, incluindo aqueles em conjunto com o antibiótico azitromicina, mas advertem que a amostragem ainda é pequena e que há risco de problemas cardíacos associados ao uso de medicamentos com essas substâncias. Dessa forma, “não há base para adotar o tratamento sem estudos adicionais”, sugere a pesquisa.

A aplicabilidade do Tamiflu (oseltamivir), que chegou a ser cogitado para conter o vírus, foi descartada pelo levantamento da Universidade do Texas. A droga é efetiva contra o H1N1 e se imaginou que poderia ser usada contra o coronavírus, mas não teve sucesso. O uso de corticoides também não é recomendado pelos cientistas.

O estudo ressalta que a pandemia de covid-19 é a maior crise global de saúde pública desta geração e, potencialmente, a maior desde a gripe espanhola de 1918. “A velocidade e o volume de testes clínicos para investigar possíveis terapias destacam a necessidade e a capacidade de produzir evidências com alto padrão de qualidade, mesmo no meio de uma pandemia”, conclui a pesquisa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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