Quinta-feira, 26 de Novembro de 2020

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Geral Brasileira que é deputada na Suíça ganha menos do que uma professora primária

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Carine Carvalho desembarcou na Suíça em 2000 com a sua família. (Foto: Reprodução)

Ela não tem motorista, não tem auxílio-moradia, não tem carro oficial nem pode nomear funcionários. Para comer, precisa pagar de seu bolso e seu salário depende da quantidade de horas que ela passa por semana no Poder Legislativo. Essa é a vida de deputada cearense Carine Carvalho. Ela, porém, não exerce seu mandato no Brasil. Carine é deputada no cantão de Vaud, na Suíça, uma espécie de deputada estadual. “Como deputada, sou eu e eu mesma”, contou ao blog de Jamil Chade, do portal de notícias UOL. “Não posso nomear ninguém”, disse.

Ela desembarcou na Suíça em 2000 com a família, fez o colegial, universidade e passou a ser cidadã lá. Logo, entrou para a vida de militância. Em 2015, aderiu ao Partido Socialista. Um ano depois, assumiu a cadeira de vereadora de Lausanne. Em 2017, foi eleita deputada estadual. Por mês, sua renda como deputada não chega ao salário de uma professora primária. Hoje, seu pagamento é inferior à média de um salário de um fabricante de queijo, menor que a renda de um mecânico de carros na Suíça, de uma secretária, de um policial, de um carpinteiro, de uma professora de jardim de infância, de um metalúrgico e de um motorista de caminhão.

Por ano, é o equivalente ao pagamento médio atribuído a um artista de circo ou a um ajudante de cozinha, postos ocupados em grande parte por imigrantes. No Brasil, o salário de um deputado estadual chega a R$ 25.300 por mês em São Paulo, por exemplo. Além disso, os parlamentares brasileiros têm direito a uma verba mensal (o chamado “cotão”), que pode superar R$ 30 mil, para custeio de gastos de alimentação, transporte, passagens aéreas e despesas de escritório.

Empregos originais são mantidos – A brasileira explica que a função de deputada consome 30% do seu tempo de trabalho e que todos são orientados a manter seus empregos originais, mesmo depois de eleitos. Ela, por exemplo, mantém seu emprego na universidade, onde é chefe da secretaria da igualdade de gênero da instituição. Já como política, recebe cerca de 3.000 francos suíços em meses que acontecem muitas reuniões e trabalhos parlamentares.

“Ganhamos por sessão. A cada uma delas, que dura o dia todo, ganhamos 480 francos suíços”, disse Carine. O Grande Conselho, como é chamado o Parlamento Estadual, se reúne uma vez por semana, todas as terças-feiras das 9h30 às 17h. Se o representante chega atrasado, não recebe o valor integral. Se o deputado aparece apenas à tarde ou pela manhã, recebe pela metade. Já as reuniões de comissões temáticas ficariam entre 80 e 200 dólares, dependendo da duração.

“A ideia da Suíça é uma política de milícia. Esse é o outro lado da democracia direta. Uma política próxima do cidadão. Normalmente, você sabe quem é teu representante. A relação com o político é muito próximo. Até o presidente anda de transporte público”, explicou. Essa proximidade, porém, também foi alvo de debates. Nas últimas eleições, a violência sexista contra as eleitas entrou na agenda. “Muitas receberam cartas de insultos e ameaças. Quando tivemos uma discussão sobre Brumadinho (MG), recebi insulto nas redes sociais, racista”, contou a cearense.

Ainda assim, o controle popular sobre a política é real. “Se você não gostou do que teu representante fez, você faz um referendo. O que o mundo político faz, o povo pode desfazer. Aqui, a política é mais lenta e complexa. Mas é mais duradoura e uma decisão tem uma legitimidade grande”, completou.

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