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Economia Com o fim da chamada “taxa das blusinhas” em maio deste ano, a importação de produtos de baixo valor disparou

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Volume de encomendas de baixo custo cresceu 116% em junho. (Foto: Reprodução)

No primeiro mês sem qualquer resquício da chamada “taxa das blusinhas”, a importação de produtos baratos em sites “gringos” disparou, mostram dados da Receita Federal. Em valores, as importações internacionais somaram R$ 2,6 bilhões em junho, mais que o dobro (alta de 101%) na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo relatório do BTG Pactual com base nos números oficiais.

Pressionado pelas varejistas nacionais, o governo passou a aplicar um imposto de 20% sobre importações de produtos de até US$ 50 em agosto de 2024. Em ano eleitoral, porém, o Executivo decidiu ceder às críticas dos consumidores e extinguiu a chamada “taxa das blusinhas”. Como a alíquota de 0% começou a valer em 12 de maio, junho foi o primeiro mês “cheio” sem o imposto.

Na comparação com abril, último mês completo sob a “taxa das blusinhas”, o volume de encomendas avançou 74%.

O BTG admitiu que a notícia é ruim para as varejistas locais, sobretudo quando a Shein está prestes a fazer IPO na China, em uma transação que deve acelerar o apetite do e-commerce asiático de vestuário em seu principal mercado. Mas os analistas do banco enxergam um “copo meio cheio”: enquanto a “taxa das blusinhas” vigorou, as companhias brasileiras de grande porte conseguiram aumentar sua competitividade, sustentam.

“Os varejistas brasileiros estão estruturalmente mais bem posicionados para competir do que estavam nos anos anteriores. Desde a implementação do Remessa Conforme, a maior parte das varejistas listadas em Bolsa fortaleceu suas capacidades logísticas e de distribuição, aumentou sua competitividade em preços, expandiu suas operações de comércio eletrônico, reduziu os prazos de entrega e aprimorou sua proposta de valor, tornando-se mais resiliente à concorrência internacional”, opinaram no relatório.

Comemoração

O fim da taxa foi comemorado por marketplaces internacionais, embora não tenham informado se o volume de compras de importados subiu no último mês.

“A atual estrutura tributária para compras de menor valor democratiza o acesso do consumidor brasileiro a produtos exclusivos e marcas globais, beneficiando diretamente as classes de menor renda e ampliando seu poder de compra”, disse o AliExpress, em nota, informando que mantém uma expectativa positiva para os próximos meses e que não houve alteração em seus prazos de entrega em junho.

Como ficou

Mesmo com o fim da “taxa da blusinha”, a partir de 13 de maio, o ICMS, imposto estadual que também incide sobre as encomendas de até US$ 50, continua sendo cobrado. Ele varia entre 17% e 20% por cento da compra, a depender do estado.

Assim, a carga tributária atual é menor do que a aplicada durante a vigência da taxa, mas permanece acima do nível observado antes da criação do Remessa Conforme, que formalizou a cobrança do ICMS nas compras internacionais de baixo valor.

Além disso, para pedidos acima de US$ 50 também continua valendo o imposto federal de 60% do valor do produto. (As informações são de O Globo)

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