Domingo, 19 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2026
Quem tem um Fusca na garagem, um Opala guardado ou dirige um importado antigo precisa ficar atento a partir do próximo dia 1º de agosto. Isso porque na última terça-feira (dia 14), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. Mas, afinal, quais veículos podem sentir mais impactos com a nova composição de misturas de combustível?
Para os motoristas que dirigem carros flex fabricados a partir de 2003, o maior teor de etanol muda bem pouco o dia a dia.
“Os modelos flex têm gerenciamento eletrônico avançado da mistura de combustível e provavelmente sofrerão baixo impacto. Esses sistemas já foram projetados para operar com uma faixa ampla de teor de etanol, inclusive com 100% dele”, explica Arielly Assunção Pereira, engenheira mecânica e professora da Estácio.
O efeito mais imediato – e que atinge inclusive os donos de carros flex – é o aumento no consumo. O etanol tem menor poder calorífico que a gasolina, ou seja, gera menos energia por litro queimado. Com mais álcool na mistura, o motor precisa consumir mais combustível para rodar a mesma distância.
“No dia a dia, o consumidor que calcula pode sentir uma leve diferença no consumo”, afirma Danilo.
Outros problemas atingem principalmente três grupos: veículos carburados com mais de 30 anos, carros dos anos 90 movidos só a gasolina e importados não flex. Nesses casos, o etanol em maior concentração pode acelerar a corrosão de peças metálicas e do tanque de combustível, além de causar falhas no funcionamento.
“Não significa que o carro vai deixar de funcionar. O veículo vai ter um desgaste prematuro de peças, que não têm uma blindagem contra o etanol”, explica Danilo Dantas, técnico de educação do Senai no segmento automotivo.
Entenda
A decisão do CNPE tem um pano de fundo geopolítico. Com o reaquecimento da guerra entre Estados Unidos e Irã, houve um novo fechamento do estreito de Hormuz, uma passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde escoa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.
Na prática, o encarecimento do combustível chegaria ao motorista particular, ao caminhoneiro que leva alimentos ao supermercado, às empresas de ônibus que transportam o trabalhador e aos profissionais que atuam em aplicativos de transporte e de entrega.
“Qual é o objetivo do governo? Tentar segurar a inflação por meio da utilização de etanol na gasolina. É um efeito pequeno, mas o aumento também é temporário”, explica Samuel Barros, professor de finanças do Ibmec-RJ.
Segundo o especialista, o principal beneficiado é o consumidor de baixa renda, que sente na cesta básica o efeito de qualquer variação no combustível.
“Para a população de baixa renda, o impacto vai direto na inflação. Evita o aumento do custo da cadeia produtiva e da cadeia logística, o que faz com que a população mais carente sinta menos aumento nos preços. E o produtor brasileiro de etanol vai ter um mercado melhor para vender”, explicou.
Além do fator econômico, a medida tem um argumento ambiental. O etanol emite menos CO₂ e poluentes locais que a gasolina, reduzindo o impacto na emissão de gases do efeito estufa.
“O etanol é um combustível menos poluente comparado à gasolina. Essa foi uma das justificativas que o governo utilizou para fazer o aumento da proporção do etanol”, explica Danilo Dantas, do Senai.
Efeitos
Entre os efeitos técnicos apontados pelos especialistas, o mais grave é a corrosão de peças do sistema de alimentação. O etanol anidro é higroscópico, ou seja, absorve umidade do ar. Danilo, do Senai, explica que essa água acumulada oxida partes metálicas em veículos que não foram projetados para conviver com o produto.
O especialista também aponta que, nos modelos mais modernos com injeção direta, o desgaste atinge componentes de alto custo.
Nos veículos mais antigos, o alvo é outro: o tanque de combustível metálico, mais suscetível à ferrugem, e o próprio carburador, feito de ligas que reagem mal ao etanol.
Mais afetados
Alto impacto – carros carburados (fabricados até meados dos anos 90).
Impacto médio – carros com injeção eletrônica de primeira geração, só a gasolina (fabricados de 1990 a 2003).
Impacto que depende do manual – importados não flex (de qualquer época, inclusive modelos recentes).
Baixo impacto – flex (a partir de 2003). Esse sistema trabalha com qualquer proporção entre gasolina e etanol. (As informações são do Extra)
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