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Economia Isenções de tarifa mostram que Estados Unidos precisam do Brasil

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Na fruticultura, a uva foi a cultura de maior relevância sujeita a cobrança de tarifa. (Foto: Reprodução)

O governo dos Estados Unidos isentou da tarifa de 25% segmentos que representam 63,5% do valor das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano. Foi o que afirmou a diretora de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Sueme Mori, em vídeo divulgado pela entidade.

“Segundo os EUA, a ampliação das exceções reflete a dependência da indústria americana de determinados insumos brasileiros, a insuficiência na oferta doméstica e os possíveis impactos sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas”, mencionou.

Suco de laranja, carne bovina, café e pescados estão entre os produtos incluídos na lista de exceções ao tarifaço anunciado na quarta-feira (15) pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Entidades representativas do agro avaliaram que a medida atesta a competitividade e a importância do setor brasileiro como fornecedor.

“Essa decisão protege as exportações brasileiras de café e reforça o Brasil como maior produtor e exportador global”, destacaram, em nota conjunta, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

A expectativa, atendida pelo USTR, era a isenção de tarifa para o café solúvel, como ocorreu com o grão e o torrado e moído.

Também em nota, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) observou, contudo, que há outra investigação dos EUA, que também demanda atenção.

Segundo a entidade, ainda existe o risco de taxação de 12,5% da segunda investigação do USTR, que pode ocasionar impactos significativos nas indústrias brasileiras.

A Abiec, que representa frigoríficos de carne bovina, informou que acompanha as conversas entre os governos, mas não há “negociação ativa” no setor.

“Estamos acompanhando resultados das ações, procurando observar e acompanhar na medida que somos chamados”, disse o presidente Roberto Perosa, em coletiva de imprensa.

Na aquicultura, ficaram isentos o filé fresco de tilápia — de maior volume de exportação — e a tilápia inteira, resfriada ou congelada. “Os exportadores passam a contar com maior segurança jurídica e um ambiente mais favorável para ampliar a presença nos Estados Unidos”, analisou o presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBr), Francisco Medeiros, apesar de o filé de tilápia congelado ter ficado sujeito à cobrança.

A Associação Brasileira da Indústria de Pescado (Abipesca) considerou positiva a isenção de grande parte dos produtos, mas lamentou a tarifação de algumas cadeias. Ainda assim, a expectativa é exportar 10% a mais que em 2025.

“A isenção atesta a dependência dos Estados Unidos do suprimento nacional”, analisou o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo.

O mel brasileiro também ficou isento da tarifa. A Abemel, que reúne os exportadores, destacou que a taxação elevaria o custo para o consumidor americano. “Os Estados Unidos não produzem mel orgânico e não tem condições de produzir”, lembrou João Marcelo Messas, diretor da Associação.

Na fruticultura, a uva foi a cultura de maior relevância sujeita a cobrança de tarifa, explicou a pesquisadora Margarete Boteon, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Ela observou, porém, que é a Europa o principal destino da uva brasileira, o que limita o efeito negativo do tarifaço.

Setor de máquinas

Segmento da indústria taxado em 25%, o de máquinas e equipamentos ressaltou que a medida fecha um potencial mercado. Mas, neste momento, as consequências para o setor são limitadas, já que as exportações de tratores e colheitadeiras aos EUA representam 0,65% do total.

“A balança comercial é amplamente favorável a eles. Mas, se alguém pensa em aumentar a exportação para lá, não conseguirá”, disse o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSMIA/Abimaq), Pedro Estêvão Bastos.

Situação semelhante é a da cadeia produtiva do etanol de milho, disse o presidente da Unem, entidade que reúne a indústria, Amaury Pekelman. O biocombustível brasileiro foi um dos principais alvos da investigação americana e, na decisão final do USTR, está na lista dos que receberão a cobrança de tarifa a partir do dia 22 de julho. Pekelman não vê um prejuízo significativo. (Com informações do Valor Econômico e Globo Rural)

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