Terça-feira, 07 de Julho de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
11°
Light Rain

Rio Grande do Sul Cresce no Rio Grande do Sul a ação de estelionatários. Grande parte dos golpes envolve clonagem de perfis no WhatsApp

Compartilhe esta notícia:

Crimes cibernéticos já são uma das principais demandas da Polícia gaúcha. (Foto: EBC)

Um levantamento divulgado nesta terça-feira (2) pela SSP (Secretaria da Segurança Pública) aponta uma expansão de 36% nos registros de estelionato no Rio Grande do Sul, na comparação entre abril de 2019 e o mesmo mês neste ano, com 2.142 e 2.910 casos, respectivamente. Segundo a pesquisa, grande parte dessas ocorrências envolve a clonagem de perfis no aplicativo de mensagens WhatsApp.

Os crimes com essa característica já representam uma das principais demandas para a DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos) da Polícia Civil, que investiga delitos praticados na internet, redes sociais e outros ambientes virtuais. Para o titular da unidade, delegado André Anicet, muitos dos golpistas agem de forma complexa.

Em casos de pessoas que informam número de WhatsApp em sites de vendas, por exemplo, não é raro o estelionatário entrar em contato informando que a validação do anúncio depende de a pessoa enviar um código que chegará via mensagem de texto tipo ‘SMS’. O criminoso faz então o login no WhatsApp com o número da outra pessoa e envia para a vítima uma mensagem com código de verificação. Erroneamente, quando esse número chega ao celular da vítima, ela o repassa ao golpista.

“Na verdade, esse código é o próprio código de segurança do aplicativo, sem o qual o fraudador não teria como clonar aquele número”, alerta”, explica o delegado. “Qualquer um que tenha WhatsApp pode ser alvo desse tipo de crime.”

Outro golpe possível e bastante comum é a criação de perfil falso de algum conhecido da vítima, com o objetivo de pedir dinheiro. Geralmente, isso ocorre com usuários que mantêm redes socias (Facebook, por exemplo) abertas e com muitos seguidores, permitindo assim que o estelionatário copie fotos para criar um perfil falso e busque por pessoas conectadas a ela na vida real”, informa.

Nesse caso, o contato quase sempre acontece com familiares, aos quais o criminoso se passa pela vítima e solicita dinheiro ou pagamento de algum boleto bancário, sob o pretexto de que no dia seguinte devolverá o dinheiro – o que, obviamente, não acontece.

Um pouco diferente mas que também tem pego vários incautos, o “golpe dos nudes” é outra modalidade que tem mobilizado a Polícia Civil, até porque a prática é agravada pela concomitância com o crime de extorsão (chantagem mediante ameaça para obter dinheiro ou outra vantagem financeira).

Por meio de perfis falsos criados em sites de relacionamentos como Instagram ou o já mencionado Facebook, o criminoso se passa por mulheres jovens e bonitas, tendo como alvo preferencial homens de meia-idade e cujas redes sociais sejam abertas. Estabelecida a amizade virtual, a falsa jovem estimula a vítima a manter conversas mais “picantes”, que logo evoluem para a troca de “nudes” (fotos íntimas).

“Não demora muito e uma terceira pessoa – cúmplice do golpista – entra em cena, chamando a vítima de “pedófilo” e exigindo dinheiro para não vazar as fotos dela na internet ou expor o caso à esposa do homem”, relata o delegado. “O mesmo golpe ainda pode contar com a participação de falsos policiais civis que entram em contato com a vítima, exigindo dinheiro para “arquivar o inquérito”.

Como se proteger

“Na internet, é preciso desconfiar de tudo e de todos, principalmente quando não sabemos com exatidão com quem conversamos, então compartilhar fotos ou informações íntimas tende a ser muito perigoso”, alerta o delegado Anicet. “Também é importante que percebamos que e-mails governamentais, como o da Polícia Civil, terminam sempre com extensões tipo ‘.gov.br’ e não ‘.com’, exemplo”.

Sobre a clonagem de WhatsApp, ele pede que as pessoas não forneçam o código de segurança a terceiros, mas, caso aconteça, e a vítima não consiga mais acessar o perfil, deve informar da clonagem por e-mail ao WhatsApp e solicitar o bloqueio da conta.
Um mecanismo de segurança muito útil é a verificação em duas etapas, espécie de contrassenha que é solicitada pelo aplicativo para barrar tentativas de clonagem.

Para ativá-la, abra o aplicativo, toque no menu de três pontos e acesse “Configurações”. Em “Conta”, escolha “Verificação em duas etapas”, toque em “Ativar” e escolha uma senha com seis dígitos para a conta do WhatsApp. Em seguida, será necessário confirmar o seu PIN, infomar um endereço de e-mail válido (caso esqueça seu código), tocar em “Avançar” e confirmar seu endereço de e-mail em “Salvar”.

(Marcello Campos)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Rio Grande do Sul

Câmara dá prioridade para mãe chefe de família no auxílio emergencial
Ministro do Supremo assegura acesso de interessados aos autos do inquérito que apura fake news
Deixe seu comentário
Pode te interessar