Terça-feira, 11 de agosto de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
17°
Mostly Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Delator disse que o ministro do Esporte direcionou licitação para uma agência de publicidade

Compartilhe esta notícia:

O delator relatou ainda que Picciani (foto) teria acertado em 2015 3% de comissão em troca de direcionar a conta de publicidade do Ministério da Saúde. (Foto: Reprodução)

O marqueteiro Renato Pereira disse, em delação premiada, que o ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), direcionou uma licitação de publicidade da pasta para a sua agência, a Prole Propaganda, no ano passado.

Em depoimento prestado à PGR (Procuradoria-Geral da República), o colaborador contou ter viajado a Brasília para tratar pessoalmente do acerto com o peemedebista, que assumiu o cargo em 12 de maio de 2016, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff. A concorrência para a conta do Esporte foi aberta na gestão de Picciani. A Prole, de fato, foi classificada entre as duas vencedoras do processo para dividir uma conta de R$ 55 milhões.

No dia da assinatura do contrato, no entanto, os representantes da empresa não apareceram. A agência desistiu de prestar os serviços, alegando dificuldades financeiras. A decisão foi tomada em dezembro, dias depois de o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) ser preso por suposta participação em esquemas de corrupção que envolveriam a Prole e o marqueteiro.

O Ministério do Esporte convocou para assinar o contrato a Calia Y2, terceira classificada na licitação. A empresa – que aumentou expressivamente seus ganhos no atual governo – pertence a Gustavo Mouco, irmão do marqueteiro de Michel Temer, Elsinho Mouco. A outra vencedora da concorrência no Esporte foi a Agência Nacional de Propaganda, que, segundo Pereira, seria próxima do ministro Picciani e teria participado de outras tratativas para fraudar licitações no governo do Rio e no Ministério da Saúde.

Comissão

O delator relatou ainda que Picciani teria acertado em 2015 3% de comissão em troca de direcionar a conta de publicidade do Ministério da Saúde – na época, o PMDB comandava a pasta no governo Dilma Rousseff. O marqueteiro teria viajado a Brasília para uma reunião com um funcionário do ministério, identificado apenas como “Valter”, e o publicitário Paulo de Tarso Lobão Morais, sócio da Nacional.

“Nessa reunião ficou confirmado que a Prole seria uma das agências vencedoras da conta de publicidade do Ministério da Saúde”, afirmou Pereira. Ele explicou que, com o processo de impeachment de Dilma, o governo foi trocado, o PMDB do Rio perdeu influência na Saúde, e os planos não prosperaram.

Dono da Nacional, Lobão Morais trabalhou como marqueteiro do deputado estadual fluminense Jorge Picciani (PMDB), pai do ministro, nas campanhas de 2010 e 2014. Ele nega qualquer envolvimento em ilicitudes. Jorge Picciani e outro de seus filhos, Felipe Picciani, foram alvo da Operação Cadeia Velha, deflagrada na terça-feira (14), por suspeita de integrarem um esquema de corrupção envolvendo empreiteiras e empresas do setor de transporte. Felipe foi preso. Um pedido de prisão de Jorge foi feito pelo MPF (Ministério Público Federal) e está pendente de decisão da Justiça.

Pagamento 

O Esporte pagou R$ 28,2 milhões à Nacional neste ano. O contrato com a pasta vencerá em dezembro, mas em agosto o ministério firmou aditivo para aumentar em até 20% o valor dos repasses previstos para a empresa e para a Calia, parceira de contrato.

A delação de Pereira foi enviada ao STF (Supremo Tribunal Federal) para homologação, mas o ministro Ricardo Lewandowski, responsável pelo caso, decidiu devolvê-la à PGR para ajustes nos benefícios negociados com o delator. Ele entendeu que os termos pactuados foram demasiadamente benéficos. Alguns, na avaliação do magistrado, são inconstitucionais.

A colaboração foi fechada pela equipe do ex-procurador geral da República Rodrigo Janot. Pereira confessou oito casos de corrupção e negociou perdão em sete, exceto naqueles relativos à campanha para o governo do Rio em 2014.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Noivo mágico faz sucesso com truque na festa de casamento
Receita Federal divulga regras para empregadores domésticos regularizarem débitos com o INSS
Pode te interessar