Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020

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Geral DNA de hominídeo desconhecido ainda está presente em algumas pessoas

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Pesquisadores avaliaram genoma de alguns dos nossos antepassados e descobriram a presença de genes não identificados. (Foto: Pixabay)

Uma nova análise de genomas antigos revelou que a árvore genealógica humana é ainda mais complexa do que se imaginava. Segundo um trio de pesquisadores das universidades Cornell e de Cold Spring Harbor, ambas nos Estados Unidos, algumas pessoas carregam até hoje os genes de um ancestral desconhecido. A descoberta foi publicada no periódico PLOS Genetics.

Há milhares, os Homo sapiens coexistiram e conviveram com outras espécies de hominídeos, como os neandertais e os denisovanos. Esses grupos, por sua vez, geraram descendentes — e genes dessas outras espécies existem até hoje no nosso DNA.

No novo artigo, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo para analisar genomas que podem identificar segmentos de DNA provenientes de outras espécies, mesmo que esse fluxo genético tenha ocorrido milhares de anos atrás e seja proveniente de uma fonte desconhecida. Foram estudados os genomas de dois neandertais, um denisovano e dois humanos africanos.

Segundo o artigo, os pesquisadores descobriram evidências de que 3% do genoma neandertal veio de hominídeos antigos e, ao que tudo indica, o cruzamento ocorreu entre 200 mil e 300 mil anos atrás. Além disso, 1% do genoma denisovano provavelmente veio de um parente desconhecido e mais distante, possivelmente o Homo erectus — e cerca de 15% desses genes “superarcaicos” podem ter sido transmitidos aos humanos vivos hoje.

As novas descobertas confirmam casos relatados anteriormente de fluxo gênico entre humanos antigos e apontam para novos casos de cruzamento interespecífico (entre duas espécies diferentes). Os pesquisadores acreditam que a troca genética era provável sempre que dois grupos coexistiam em determinada região no mesmo período.

O novo algoritmo promete ajudar em um grande problema das pesquisas genéticas: a falta de DNAs antigos disponíveis para estudo. Com a tecnologia atual, não podemos avaliar a maior parte dos genes milenares de nossos ancestrais, mas os autores acreditam que o novo método vai ajudar a aperfeiçoar o estudo dos DNAs já investigados anteriormente.

“O que eu acho empolgante neste trabalho é que ele demonstra o que podemos aprender sobre a história humana reconstruindo em conjunto a história evolutiva completa de uma coleção de sequências de humanos modernos e hominídeos arcaicos”, disse Adam Siepel, coautor da pesquisa, em declaração. “Esse novo algoritmo (…) é capaz de voltar mais no tempo do que qualquer outro método computacional que eu já vi. Parece ser especialmente poderoso para detectar introgressões [‘entrada’ de genes de uma espécie na outra] antigas.”

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