Sexta-feira, 10 de Julho de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
Fair

Mundo Em meio a duas crises nacionais, a campanha de Donald Trump à reeleição vê números em queda e não esconde preocupação

Compartilhe esta notícia:

Presidente (D) se afasta de eleitores que não são republicanos e perde espaço para Joe Biden (E) em sondagens. (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está diante do pior cenário para suas intenções de continuar à frente da Casa Branca por mais quatro anos, com seus números despencando em pesquisas públicas e internas. Sua campanha já começa a se preocupar com sua posição em Estados como Ohio, onde ele venceu com ampla vantagem há quatro anos.

A campanha do presidente lançou recentemente uma série milionária de anúncios em Estados como Ohio e Arizona, tentando melhorar sua posição, enquanto movimenta suas operações políticas para pôr foco em locais como a Geórgia, uma vez considerados simples para os republicanos.

Em privado, Trump mostrou preocupação com a possibilidade de sua campanha não estar preparada para enfrentar a eleição geral, enquanto os republicanos se questionam se o presidente poderá sair em uma posição mais forte das muitas crises que abalam o país.

Trump é, de forma constante, um presidente impopular; seus assessores consideram que a estratégia do presidente para ganhar um novo mandato depende muito da lealdade de sua base conservadora e de mudanças favoráveis aos republicanos que lhe deem vantagem no Colégio Eleitoral — fatores que podem permitir ao presidente uma nova e estreita vitória, mesmo com a forte possibilidade de perder no voto popular mais uma vez.

Pesquisas desfavoráveis

Mas em meio à devastação humana e econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus e, agora, uma onda de protestos e instabilidade social nas cidades americanas, Trump está cada vez mais longe de seu adversário democrata, Joe Biden.

Em uma pesquisa interna da campanha de Trump, o presidente está distante de Biden, de acordo com pessoas que tiveram acesso aos últimos resultados. Pesquisas divulgadas ao público na última semana também mostraram Trump em desvantagem, por vezes de até dois dígitos, incluindo uma sondagem realizada pela Universidade Manmouth, que deu a Biden vantagem de 11 pontos percentuais.

A eleição presidencial acontece daqui a cinco meses e, apesar de sua vulnerabilidade política, Trump tem alguns trunfos. Embora a arrecadação da campanha de Biden tenha aumentado, Trump tem mais dinheiro em caixa, e retomará os eventos com potenciais doadores na semana que vem. Quase não há dissidências dentro do Partido Republicano, dando ao presidente uma base forte na direita, um ponto de partida para que tente recuperar sua força antes da reta final da campanha.

Tim Murtaugh, porta-voz da campanha de Trump, disse em comunicado que a disputa continua altamente competitiva:

“Nossos números internos mostram que o presidente segue forte na disputa contra Joe Biden em todos os Estados principais”, afirmou Murtaugh, usando um termo que se refere a pesquisas que avaliam ideias positivas e negativas sobre os candidatos.

Mas a resposta bélica de Trump aos protestos depois da morte de George Floyd, um homem negro, sob custódia de policiais brancos em Minneapolis, parece ter piorado sua posição política ainda mais, na opinião de integrantes dos dois partidos, o Democrata e o Republicano. De forma quase diária, o presidente lançou um conjunto de ameaças violentas e reclamações sobre a cobertura da imprensa, além de queixas pessoais.

“Não há uma estratégia óbvia em termos de mensagens”, diz Rob Stutzman, estrategista republicano baseado na Califórnia. “O presidente se mantém nas suas mensagens centrais à base, sem se importar com estratégia, então a campanha se torna em algo centrado na base dele.”

Guerra de propaganda

Os sinais de ansiedade dentro da campanha de Trump se mostram evidentes por todo o mapa eleitoral. Nas últimas semanas, foram gastos US$ 1,7 milhão em anúncios em três Estados onde o presidente venceu em 2016 — Ohio, Iowa e Arizona — e onde ele não esperava ter problemas em 2020. Boa parte do dinheiro foi concentrada em uma ofensiva de duas semanas em Ohio, de acordo com a empresa de análise de mídia Advertising Analytics.

Os gastos em Ohio assustaram muitos republicanos, uma vez que, há quatro anos, Trump derrotou Hillary Clinton no Estado com vantagem de oito pontos percentuais.

Aaron Pickrell, estrategista democrata em Ohio e que ajudou o ex-presidente Barack Obama em suas campanhas eleitorais, disse que a decisão de Trump de direcionar as verbas para o Estado mostra o quão precária sua posição por lá está no momento. Pickrell disse que há conversas entre os democratas sobre direcionar recursos para um Estado praticamente deixado de lado depois da derrota de Hillary em 2016.

“Acho que ninguém vai contestar o fato de que, se Trump perder Ohio, não existe um caminho (para a vitória)”, disse Pickrell. “Acho que Joe Biden pode vencer aqui, e acho que a campanha de Trump sabe disso.”

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Autópsia revela que George Floyd tinha sido contaminado pelo coronavírus
Manifestantes desafiam o toque de recolher nos Estados Unidos; as prisões já passam de 10 mil
Deixe seu comentário
Pode te interessar