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CAD1 Enquanto o Banco Central lidera um esforço para a redução dos juros bancários para os clientes, os bancos reajustam tarifas para garantir lucros altos

O aumento da tarifa é uma diretriz para manter a rentabilidade. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Enquanto o BC (Banco Central) lidera um esforço para a redução dos juros bancários para os clientes, as instituições financeiras reajustam tarifas para garantir lucros altos. Em um ano, os preços dos pacotes de serviços dos cinco maiores bancos do País aumentaram 5,5%, de acordo com os dados do BC. No mesmo período, a inflação oficial foi de apenas 2,7%. Algumas tarifas avulsas de serviços bastante requisitados pelos correntistas pessoas físicas deram saltos ainda maiores.

Entre os cinco maiores bancos, a Caixa Econômica Federal foi a que mais reajustou. Em média, seus pacotes padronizados subiram 9,7%. Mesmo assim, o banco público continua a cobrar as tarifas mais baixas. No governo Dilma Rousseff, a Caixa foi usada para tentar forçar um movimento de queda de custo de crédito bancário. Depois de sofrer com problemas de capital no ano passado, o banco federal mudou de estratégia para tentar solucionar a escassez de dinheiro para novos empréstimos. Além de reajustar tarifas para pessoas físicas, renegociou os valores de prestação de serviços para o setor público, antes muito baixos.

Segundo fontes do setor, ouvidas pelo jornal O GLOBO, o aumento da tarifa é uma diretriz dos bancos para manter a rentabilidade. O Santander foi o segundo banco que mais aumentou os pacotes de serviços. De maio de 2017 até este mês, a alta média chegou a 7,7%. Em seguida, vieram Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.

Pelas regras do BC, os bancos podem cobrar por quatro pacotes de serviços, com diferentes quantidades de operações. Os valores desses grupos de serviços subiram em todas as grandes instituições.

Quem ultrapassa os limites dos pacotes tem de pagar uma tarifa extra avulsa. No Banco do Brasil, requisitar um extrato mensal por meio eletrônico ficou 27,5% mais caro nos últimos 12 meses. No Bradesco, a alta foi de 24,4%. O cliente do Itaú paga 12,2% a mais do que no ano passado para fazer saque avulso em terminais. E no Santander, retirar dinheiro em agência bancária depois de esgotar os saques a que o pacote dá direito já custa 10,4% mais.

Ione Amorim, economista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), destaca que os serviços dos bancos ficaram mais caros mesmo com a incorporação cada vez maior de novas tecnologias. Ela diz que as instituições não repassaram para os clientes os ganhos de eficiência com a redução de despesas nas agências físicas e com o maior uso da internet e dos aplicativos bancários no celular. Por isso, classifica o reajuste das tarifas como abusivo. Ione conta que o Idec planeja uma campanha junto ao BC para que os bancos façam um reajuste anual das tarifas. Hoje, podem mudá-las duas vezes por ano: “É preciso aperfeiçoar as normas em um cenário de juros mais baixos”.

Competição

Sem tabelar os preços dos serviços para não caracterizar uma intervenção no mercado, o Banco Central quer mudar o cenário atual de outro jeito: aumentando a competição com mais prestadores de serviços financeiros. Com esse propósito, tem incentivado as fintechs (startups financeiras) e novas instituições de pagamentos. Essas novas empresas podem atrair um público jovem, que precisa de serviços mais simples e mais baratos.

Procurado pela imprensa, o Bradesco afirmou que reajusta as tarifas dentro das regras e assegura uma comunicação transparente aos clientes. O Itaú disse buscar a melhor relação custo-benefício para o cliente e que os reajustes levam em consideração a inflação, custos operacionais e características dos pacotes ofertados. O Santander declarou observar rigorosos critérios de avaliação para precificar serviços, considerando condições de mercado e a inflação. Segundo o BB, os preços de suas tarifas levam em conta a competitividade no mercado, além dos custos dos serviços e a conveniência no atendimento aos clientes. A Caixa não se manifestou.

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