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Geral Estudo liga o uso diário de aspirina por idosos a um risco maior de sangramentos graves

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Pacientes acima de 75 anos também tomam o medicamento para evitar AVC e ataque cardíaco. (Foto: Reprodução)

O uso diário de aspirina por pessoas com mais de 75 anos está relacionado a um risco maior de sangramento grave ou fatal, de acordo com um novo estudo publicado pela revista científica “The Lancet”.

De acordo com os autores da pesquisa, embora o uso do medicamento por curtos prazos depois de um AVC (acidente vascular cerebral) ou ataque cardíaco proporcione claros benefícios, para os pacientes acima dos 75 anos que tomam aspirina diariamente deveriam ser prescritos fármacos inibidores da bomba de prótons – ou seja, medicamentos para azia, a exemplo do omeprazol.

Nos Estados Unidos e na Europa, de acordo com os autores do estudo, cerca de 50% das pessoas com mais de 75 anos utilizam aspirina ou outras drogas parecidas para evitar ataques cardíacos ou AVC. Esse tipo de tratamento é recomendado a esses pacientes para o resto da vida, como prevenção secundária.

A recomendação para o tratamento de longo prazo com aspirina se baseia em testes feitos com pacientes com menos de 75 anos, que foram estudados ao longo de períodos de dois a quatro anos. Estudos anteriores, porém, já haviam relacionado esses tratamentos a ocorrências de sangramento no trato gastrointestinal superior.

Embora já se soubesse que os riscos de sangramento crescem com a idade, havia dados insuficientes para estimar o aumento da severidade do problema com o envelhecimento.

“O novo estudo permite compreender muito mais claramente o quanto aumenta o risco, a severidade e as consequências dos sangramentos”, ressalta o autor principal do estudo, Peter Rothwell, da Universidade de Oxford (Reino Unido). “Estudos anteriores mostraram que há um claro benefício no tratamento de curto prazo com aspirina após ataques do coração ou AVC. Mas nossa descoberta levanta questões sobre o equilíbrio entre riscos e benefícios no uso a longo prazo por pessoas com mais de 75 anos”.

Testes

O estudo acompanhou 3.166 pacientes que sofreram AVC ou ataque cardíaco e que receberam tratamento com drogas como a aspirina. Metade deles tinham mais de 75 anos no início do estudo. Ao longo de dez anos de pesquisas, um total de 314 pacientes recorreram a hospitais após sangramento. O risco de sangramento – especialmente grave e fatal – cresceu conforme a idade.

Para pacientes com menos de 65 anos que tomam aspirina diariamente, a taxa anual de sangramento que exigiu atendimento hospitalar foi de 1,5%. Entre os pacientes de 75 a 84 anos, a taxa cresceu para 3,5%, chegando a 5% entre os pacientes com mais de 85 anos.

O risco de sangramento grave ou fatal também aumentou com a idade. Para pacientes com menos de 65, a taxa anual desse tipo de sangramento foi menor que 0,5%. Entre os pacientes de 75 a 84 anos, a taxa aumentou para 1,5%. Para os pacientes com mais de 85 anos, a taxa se aproximou de 2,5%.

Segundo os autores do estudo, embora os riscos de ataque cardíaco e AVC também cresçam com a idade, os resultados mostraram que, para os pacientes com mais de 75 anos, o sangramento do trato gastrointestinal superior como resultado da terapia com aspirina é perigoso, caso não seja feito em conjunto com a prescrição de um inibidor de bomba de prótons.

O uso conjunto desses medicamentos contra a azia, segundo os autores, pode reduzir o sangramento do trato gastrointestinal superior de 70% a 90% em pacientes que estão recebendo tratamento de longo prazo com aspirina. No entanto, a prescrição dos inibidores de bomba de prótons não são rotina. Entre os pacientes que participaram do estudo, só um terço recebia esse tipo de droga.

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https://www.osul.com.br/estudo-liga-o-uso-diario-de-aspirina-por-idosos-um-risco-maior-de-sangramentos-graves/ Estudo liga o uso diário de aspirina por idosos a um risco maior de sangramentos graves 2017-06-16
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