Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de junho de 2017
Ex-deputado Rocha Loures, ex-assessor do presidente Michel Temer, foi transferido nessa quarta-feira do presídio da Papuda para o prédio da superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Preso na Penitenciária da Papuda desde o último dia 7, Rocha Loures pediu para voltar à carceragem da PF, onde estava inicialmente preso, alegando risco de vida se ficasse no presídio.
Na terça-feira, o ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a transferência.
Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo, em São Paulo, uma mala com R$ 500 mil que, segundo as delações de ex-executivos da JBS, eram dinheiro de propina. No pedido de transferência enviado ao STF, a defesa de Loures apontou “ameaças diretas e indiretas” ao ex-deputado por especulações na imprensa de que ele poderia fechar um acordo de delação premiada.
Interlocutor de Temer
Loures era o interlocutor de Temer com o setor privado e atuou para resolver problemas do segmento portuário, afirmou o diretor do Grupo Rodrimar Ricardo Mesquita em depoimento à Polícia Federa.
Na investigação da PF, conversas de Mesquita e Loures foram gravadas. Elas tratavam das negociações dentro do Governo sobre o novo Decreto dos Portos, sancionado no início do mês passado e que mudou as regras do setor para impulsionar investimentos. O texto atendeu vários pleitos do segmento, menos a renovação de contratos de arrendamento de terminais portuários firmados antes de 1993 (ano da Lei de Modernização dos Portos, que incentivou a concessão de terminais), defendido pela Rodrimar, que tem uma instalação no Porto de Santos nessa condição. No depoimento, o diretor informou que esse pedido ainda seria atendido.
Ricardo Mesquita afirmou à PF que conheceu Rocha Loures em 2013, quando o parlamentar era assessor de Relações Institucionais da Vice-Presidência, ocupada por Temer à época. Mesmo que os deveres do vice-presidência não envolvessem o setor portuário, havia uma orientação para procurar Loures, que falava por Michel Temer, para tratar dessas questões.
Mesquita disse que o setor portuário tinha dificuldades para debater com Brasília “questões relacionadas à nova Lei dos Portos, editada em junho de 2013”. “Diante da dificuldade de acesso ao Palácio do Planalto e demais órgãos da estrutura do Governo Federal, o setor foi orientado a procurar por Rodrigo da Rocha Loures, uma vez que ele realizava a interlocução entre a Vice-Presidência da República e representantes do setor privado”, registra o depoimento. Mesquita disse não saber de quem foi a orientação para procurar Loures.
Sobre o encontro gravado com Loures e o diretor da JBS, Ricardo Saud, em 24 de abril passado, pouco depois de os dois tratarem sobre pagamento de propina, Mesquita afirmou que só tratou de amenidades.
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