Sexta-feira, 29 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 27 de agosto de 2025
Uma pesquisa Datafolha divulgada nessa quarta-feira (27) mostrou que 96% dos brasileiros apoiam a imposição de uma prova para médicos recém-formados – uma espécie de “exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para médicos”, como já ocorre com os graduados em Direito. Apenas 3% dos entrevistados afirmaram não ver necessidade do exame de proficiência antes de os profissionais começarem a atender, e 1% não opinou.
O levantamento foi realizado a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), que defende a imposição do teste ante o que considera ter sido um “crescimento descontrolado” do número de cursos no país. O Datafolha ouviu 10.524 pessoas em 254 municípios brasileiros. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos.
De acordo com o instituto, o estado em que a população mais defende a “OAB da Medicina” é Goiás (98%), e a do Acre é a menos adepta à prova (92%).
O Datafolha também questionou por que os entrevistados apoiam a medida. Para 92% deles, a aplicação do exame de proficiência aumentaria a confiança no atendimento. Neste caso, 4% afirmaram que o teste diminuiria a confiança, 3% não viram diferença, e 1% não opinou.
Além disso, 98% dos entrevistados defenderam que todos os recém-formados sejam submetidos à prova, independentemente da instituição em que se formaram. Os outros 2% restringiram a aplicação do exame a profissionais formados no exterior.
A formação médica tem sido mais debatida nos últimos anos por causa da explosão da oferta de cursos, que passou de 181, em 2010, para 401, em 2023 — um aumento de 127% em 13 anos. Especialistas apontam que as novas instituições não têm garantido estrutura de laboratórios adequados, professores preparados e até vagas de estágio suficientes e de qualidade.
O exame impediria os reprovados de atuar de qualquer maneira na profissão. O responsável pelo teste seria o CFM.
Divulgado em abril, o Exame Nacional de Desempenho Estudantil (Enade) de 2023 mostrou que os cursos de Medicina pioraram em relação à última avaliação, feita em 2019. Há dois anos, 20% não atingiram patamar considerado satisfatório. Quatro anos atrás, essa proporção era de 13%.
Desde 2024, tramita no Senado um projeto de lei para criar o Exame Nacional de Proficiência em Medicina. Uma audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais da Casa será realizada nesta quarta-feira para discutir o assunto.
Em 19 de outubro, o Ministério da Educação prevê a aplicação do primeiro Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), obrigatório para formandos em Medicina. O teste tem como objetivo avaliar a qualidade do ensino de cursos e ajudar na seleção de alunos para residências. As informações são do jornal O Globo.