Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 6 de junho de 2023
Um ataque no Sul da Ucrânia rompeu nesta terça-feira (6) a barragem de uma usina hidrelétrica, inundando a cidade de Nova Kakhovka e ameaçando o funcionamento da usina de Zaporizhzhia, a maior central nuclear da Europa.
Moscou e Kiev trocaram acusações sem evidências sobre o incidente, que ameaça o abastecimento de água para a usina nuclear e representa um agravamento da guerra, que já dura mais de 15 meses.
Ainda não se sabe de quem é a responsabilidade ou qual foi a causa do ataque contra a barragem de 18 km³, que compõe a hidrelétrica homônima, às margens do Rio Dniéper, sob controle russo desde os dias iniciais da invasão ordenada pelo presidente Vladimir Putin, em fevereiro de 2022. Segundo dados da Universidade de São Paulo, o reservatório tem volume similar ao de Emborcação, em Minas Gerais. É mais da metade do de Itaipu, no Paraná, cujo tamanho estimado é de 29 km³.
Segundo o Ministério do Interior ucraniano, o episódio na região de Kherson – no sul da Ucrânia, mas ocupada pela Rússia – causou inundações em ao menos 24 vilarejos, com uma área de risco que engloba cerca de 80 localidades, além de partes da cidade de Kherson. A dimensão exata dos danos ainda era desconhecida.
Até as 16h (10h no Brasil), cerca de 1,3 mil pessoas haviam sido removidas, dizem os ucranianos. As autoridades locais, contudo, estimam que haja 17 mil pessoas que precisam ser retiradas de territórios ocupados pela Ucrânia e outras 25 mil de áreas sob controle russo.
Pelo Twitter, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, culpou “terroristas russos” e afirmou tratar-se de um crime de guerra, com autoridades do seu alto escalão atribuindo responsabilidade a explosões ordenadas pelo Kremlin. Mais tarde, o mandatário afirmou que o mundo “deve reagir” ao incidente:
“É fisicamente impossível explodir [a barragem de Kakhovka] de fora (…). Os ocupantes russos puseram minas e a explodiram”, disse Zelensky, que convocou uma reunião de emergência do seu Conselho de Segurança Nacional. “A Rússia detonou uma bomba de destruição ambiental maciça. O maior desastre ambiental causado pelo homem na Europa em décadas.”
Já o porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou se tratar de uma “sabotagem” com possíveis “consequências ambientais severas”. Em meio a indícios de que a contraofensiva de Kiev já pode ter começado após a intensificação dos confrontos nos últimos dias, ele afirmou que “toda a responsabilidade pelas consequência do ato deve recair sobre o regime de Kiev”.
A maioria dos especialistas crê que os esforços ucranianos para retomar o território ocupado seriam centrados na margem oriental do rio ocupada pelos russos, porém os danos maiores causados pela destruição da represa ficam no lado oposto, sob controle de Kiev. A destruição pode atrapalhar os planos de ambos lados do confronto, que eclodiu em 24 de fevereiro do ano passado, mas deve ser particularmente ruim para o país de Zelensky.
O governo dos Estados Unidos afirmou, nesta terça-feira (6), que “provavelmente haverá muitas mortes depois de uma explosão ter destruído uma grande represa na Ucrânia e que ainda faltam evidências concretas para determinar quem realizou o ato.
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, disse a jornalistas que o governo dos EUA “não pode dizer de forma conclusiva o que aconteceu nesse momento”.
A União Europeia já afirma que a explosão pode constituir um crime de guerra. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
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