Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020

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CAD1 Fábrica da Mercedes-Benz está parada há mais de dez dias em São Paulo

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Operários da fábrica da Mercedes em Iracemápolis estão em greve. (Foto: Reprodução)

Há muito tempo não se ouvia falar em longas greves de metalúrgicos em montadoras. Depois de uma fase de melhora nas relações entre empresas e sindicatos, que reduziu o ritmo desses movimentos, veio a crise econômica, que enfraqueceu a mobilização daquela que já foi uma das categorias mais organizadas do País.

Faz, entretanto, mais de dez dias, que os trabalhadores de uma das menores fábricas de veículos do País entraram em greve. Na pacata Iracemápolis, cidade do interior de São Paulo e distante dos principais redutos grevistas na indústria brasileira, os operários da Mercedes-Benz estão parados desde o dia 16 por melhorias no valor da participação nos resultados, entre outras reivindicações.

A fábrica de carros de luxo da Mercedes é uma das mais novas do País. A chegada da linha de produção da multinacional alemã, em março de 2016, levou ao município de apenas 20 mil habitantes a expectativa de uma atividade industrial mais forte.

Mas um ano e cinco meses depois a produção do utilitário esportivo GLA parou por impasse nas negociações trabalhistas.

Antes mesmo de começarem as discussões para a renovação dos contratos de trabalho da base metalúrgica de Limeira, que engloba os trabalhadores de Iracemápolis, os operários da Mercedes pararam não apenas por questões econômicas, como o pedido de Participação nos Resultados (PLR) de R$ 12 mil e a criação de um plano de cargos e salários, mas também motivos inusitados, como melhora no café da manhã servido na fábrica.

Conciliação
Em reunião de tentativa de conciliação entre a empresa e representantes dos empregados no Ministério do Trabalho, a Gerência Regional do Trabalho de Piracicaba (SP) deu prazo de cinco dias para que a Mercedes-Benz se manifeste sobre a contraproposta apresentada na sexta-feira oelo sindicato que representa os funcionários.

O sindicato reivindicou reajuste salarial de 9,2%, estabilidade de 60 dias após o fim da greve, pagamento dos dias parados, cartão alimentação de R$ 250 e R$ 2 mil de piso salarial, mais o reajuste sobre o piso.
O sindicato ainda pede que a Mercedes-Benz suspenda a Comissão de Assuntos para Participação nos Lucros da Empresa (PLR). Segundo a entidade, a existência do grupo fere a negociação entre as partes, já que a formação não foi comunicada ao sindicato.

“O sindicato ainda propôs que a empresa suspenda a Comissão da PLR em respeito à negociação que está sendo realizada com a entidade de classe”, informa a ata da reunião, assinada pelo mediador da gerência regional.

O representante da Mercedes-Benz informou que a empresa sempre esteve disposta a negociar com o sindicato e trabalhadores. Segundo a empresa, ocorreram diversas reuniões com o sindicato, mas a entidade ainda não havia apresentado uma contraproposta.

Por nota, a assessoria de imprensa da Mercedes-Benz afirmou que, apesar da greve, “já conta com o retorno da grande maioria de seus colaboradores ao trabalho”. Além disso, que não foi possível um acordo com o sindicato, “apesar de todos os esforços da empresa”.

A montadora ainda destacou que fez proposta de conceder “diversos pontos de aspectos econômicos e que trazem impactos positivos em cerca de 10% de ganho financeiro para mais de metade de seu quadro de pessoal na unidade” e que vai parcelar os dias de greve nos meses seguintes.

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