Sábado, 31 de Outubro de 2020

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Nossa tradição gaúcha deve sua identidade à relação do gaúcho com o campo. (Foto: Reprodução da internet)

Setembro chegou, e já está quase se despedindo sem levar embora de vez o terrível surto da Covid-19. A pandemia que chegou ao Brasil em fevereiro, com a promessa das autoridades sanitárias do planeta de ser debelada em dois ou três meses, arrasta-se lentamente mundo afora, com novos episódios de crescimento em países onde tudo parecia controlado.

O Rio Grande quase não se reconhece em 2020. Não tivemos o Parque Assis Brasil aberto para a Expointer, realizada na forma digital, e nossa Semana Farroupilha, ápice do gauchismo na capital e cidades do interior, transcorre sem desfiles e sem festas presenciais. O vírus fez a alma libertária do gaúcho se refugiar nos galpões. A máscara se junta ao lenço como adorno de uma nova tradição, de proteger a si e aos seus.

Mas a garra e genialidade do nosso povo inventa novas formas de viver a tradição, conjugando-a com a modernidade. Festivais online, fóruns pela internet, e shows dos nossos artistas regionais minimizam a saudade dos festejos.

Nossa tradição gaúcha deve sua identidade à relação do gaúcho com o campo. Foi lutando pela terra do Continente de São Pedro que o gaúcho se descobriu lutador e bravio. É na terra que o morador desse Estado foi descobrindo sua identidade nas várias formas de ser gaúcho: o fronteiriço, o colono, o pampeano, o missioneiro. Do estancieiro ao assentado, do charrua ao imigrante, até o gaúcho urbano deve sua identidade ao campo e à riqueza que dele vem. E este mesmo gaúcho, apaixonado pela terra e pelos valores do campo, seguiu pelo Brasil afora levando não somente o pala e o chimarrão, mas também sua capacidade produtiva, semeando o solo nas planícies do Brasil Central, nos seringais do Acre, no antes inóspito Matopiba, e até nos campos do Paraguai.

A pandemia desafia essa nossa identidade. Impede os laços de convívio fraterno, o abraço quebra-costelas, o chimarrão partilhado. Mas também deve nos estimular a encontrar desafios e soluções para continuarmos a ser quem somos. Se no passado os heróis farroupilhas lutaram com espadas e bacamartes, hoje os heróis gaúchos estão nos hospitais, na segurança pública, nos centros de pesquisa, abraçados à corrente que une especialistas do mundo todo em busca da vacina e da cura.

Nesse setembro diferente, compartilho a esperança e a certeza de que o gaúcho, que já sobreviveu ao soldado Imperial, ao déspota paraguaio e à luta fratricida entre ximangos e maragatos, não será derrotado por um inimigo invisível.

 

Tarso Teixeira –
Superintendente do Incra do Rio Grande do Sul
Vice-Presidente da Farsul

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