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Geral Guerra dos drones: saiba como dispositivos não tripulados se tornaram essenciais para Rússia e Ucrânia

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Imagem mostra ataque de drones em Moscou após nova leva de bombardeios contra o território ucraniano. (Foto: Reprodução)

À medida que o conflito na Ucrânia se arrasta por meses e meses sem que haja uma perspectiva de cessar-fogo, os Exércitos russo e ucraniano começam a demonstrar esgotamento, assim como a capacidade de seus respectivos parceiros internacionais em apoiá-los com armamentos e munições. Neste cenário, os drones se tornaram protagonistas: muitos deles de uso civil, mais baratos, foram convertidos pelos próprios soldados em armas de guerra para transportar explosivos a curtas ou longas distâncias.

Na terça-feira, Moscou foi alvo de um ataque inédito com veículos aéreos não tripulados, o último de uma série recente contra alvos russos. Um assessor do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que Kiev não estava “diretamente envolvida” nessas investidas, que atingiram um prédio residencial de uma área nobre da capital russa, mas estava “feliz” com o que viu. Em todo caso, a ação, realizada a quase 500 km de distância do território ucraniano, suscita uma pergunta: que tipo de drones Kiev pode ter em mãos?

“Ainda não se sabe de quem foi a responsabilidade pelos ataques perpetrados por drones à Moscou, mas a Ucrânia poderia ter utilizado o modelo UJ-22, que possui um alcance de até 800 km e pode transportar uma carga útil de cerca de 20 kg em explosivos”, disse ao jornal O Globo o coronel da reserva Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, mestre em Ciências Militares. “Os ataques poderiam também ter partido de dentro do próprio território russo, a partir de grupos descontentes, apoiados ou não pelas forças especiais ucranianas. Neste caso, podem ter sido utilizados drones comerciais adaptados, com alcance bastante menor.”

A Ucrânia também negou a responsabilidade por um ataque em 3 de maio, ao Kremlin, sede do governo da Rússia, embora autoridades de inteligência dos Estados Unidos tenham dito que uma das unidades militares ou de inteligência de Kiev provavelmente orquestrou o ataque. As autoridades americanas acreditam que os dois drones envolvidos nesta ocasião foram lançados de uma curta distância, dentro ou perto de Moscou.

Em meio à incerteza sobre a origem dos ataques, especialistas têm se questionado também sobre quais seriam os desdobramentos do conflito diante da possibilidade de Kiev ter drones com capacidade de alcançar Moscou a partir do território ucraniano, a uma distância a cerca de 480 km. Para Gomes Filho, o uso desse tipo de dispositivo “embora tenha se tornado comum e traga consigo muitas vantagens operacionais, não tem o condão de, por si só, mudar o rumo de uma guerra, ou acabar com ela”.

“Há uma máxima militar que diz que ‘quando um dos lados combatentes possui vantagem no ar, leva também vantagem em terra’. Mas na guerra em curso, por exemplo, os objetivos dos dois lados beligerantes implicam na conquista e manutenção de regiões. A Ucrânia pretende expulsar os russos de seu território e os russos pretendem, no mínimo, manter as regiões já conquistadas. Isso só pode ser alcançado com o controle físico do território, ou seja, sua ocupação pelas tropas. Os drones sozinhos são incapazes, portanto, de levar qualquer dos lados a alcançar seus objetivos finais”, afirmou.

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia equiparam uma ampla gama de drones civis para lançar granadas de mão, explodir com o impacto ou localizar alvos no campo de batalha. A guerra viu uma enxurrada de adaptações de pequenos aeromodelos, incluindo quadricópteros com quatro rotores e drones de asa fixa, para localizar alvos de artilharia e lançar granadas.

“É possível comprar um drone simples e de uso civil por poucas centenas de dólares pela internet, o que levou à popularização de seu uso criativo na Ucrânia, com adaptações simples feitas pelos próprios soldados nas frentes de combate”, comentou Gomes Filho. “Usos que não previstos pelos fabricantes, como o lançamento de granadas diretamente contra posições defensivas inimigas, por intermédio de dispositivos feitos com copos descartáveis e barbantes, passaram a ser amplamente divulgados em vídeos nas redes.”

Tanto a Rússia quanto a Ucrânia usam drones de ataque, uma classe de armas com alcance de alguns quilômetros a algumas dezenas de quilômetros, que zunem sobre o campo de batalha até que um alvo seja encontrado, depois mergulham e explodem. O Lancet, da Rússia, por exemplo, atingiu veículos blindados e peças de artilharia ucranianas. As informações são do jornal O Globo e agências internacionais de notícias.

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