Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020

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Esporte Incerteza sobre o futuro em meio a pandemia afeta as categorias de base do futebol brasileiro

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Suspensão de torneios coloca em dúvida ano para jovens do futebol.

Foto: Botafogo F. R./Divulgação
Suspensão de torneios coloca em dúvida ano para jovens do futebol. (Foto: Botafogo F. R./Divulgação)

A pandemia do coronavírus fez com que treinos presenciais de futebol fossem interrompidos e os torneios suspensos por tempo indeterminado. Além dos profissionais, jovens em categorias de base de clubes do Brasil afora vivem a expectativa pelo retorno de treinos e jogos, o que significa ter outra vez a oportunidade de provarem que merecem ser aproveitados no time profissional e ter os vínculos renovados. A prioridade das federações e agremiações, no momento, é viabilizar a volta de equipes profissionais masculinas às atividades, ainda que de forma gradual, e, posteriormente, às competições.

Um impacto imediato da paralisação, em alguns clubes, foi o corte em vencimentos de atletas profissionais, incluindo os que estão na base. “Pode ser feita, como autorizado pela Medida Provisória 936, a redução de salário e jornada de trabalho, de forma proporcional, ou a suspensão do contrato de trabalho, mas sempre com a concordância do jogador mediante acordo, individual ou coletivo. Vemos que alguns times adotaram a redução de forma unilateral e isso é passível de questionamento futuro”, alertou o advogado Rafael Cobra, especialista em Direito Desportivo, em entrevista à Agência Brasil.

Cobra também destacou o caso de jogadores cujo contrato é de formação, que pode ser assinado dos 14 aos 20 anos e não gera vínculo empregatício. Segundo o advogado, um atleta nesta situação pode ser dispensado sem ônus ao clube, o que, para ele, coloca o jovem em posição delicada em meio às reestruturações causadas pela pandemia: “Se o time quiser rescindir o contrato de formação, ele não tem que pagar absolutamente nada ao atleta. Basta uma decisão unilateral do clube decidindo a dispensa, seja por motivo técnico ou outra razão, o que poderia incluir a ausência de competição”.

Sem previsão

No Rio de Janeiro, o Estadual sub-20 foi suspenso após a primeira rodada, em 14 de março, ainda sem previsão de reinício. A assessoria de imprensa da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) informou que “vai avaliando o cenário para, quando for possível, com responsabilidade e cuidado médico, organizar os campeonatos”.

Cenário não muito diferente de Estados nos quais a temporada da base sequer começou.

No Rio Grande do Sul, a última manifestação da FGF (Federação Gaúcha de Futebol) foi em maio, em matéria no site da entidade indicando que o sub-20 poderia ocorrer a partir de setembro, com treinos liberados em agosto, seguindo protocolos sanitários.

Em São Paulo, a FPF (Federação Paulista) respondeu à Agência Brasil, por e-mail, que o retorno da base é discutido em “constantes encontros virtuais” e que as decisões “são tomadas em conjunto com os clubes, em acordo com as autoridades públicas de saúde”.

Já a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que organiza os campeonatos nacionais, as Supercopas e as Copas do Brasil sub-17 e sub-20, além da Copa do Nordeste sub-20, afirma, que nenhum torneio de base está cancelado e que o calendário “será retomado tão logo a situação permitir”. “Além disso, a entidade mantém reuniões constantes com a Comissão Nacional de Clubes. para ouvir demandas deste período de pandemia e debater soluções”, completa a nota.

De forma geral, as competições nacionais são disputadas nos níveis sub-15, sub-17 e sub-20. Diante do atual cenário, o treinador da equipe sub-20 do Internacional, Fábio Matias, já sugeriu uma mudança no limite de idade das categorias de base.

Na visão do técnico gaúcho, atual campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior (mais tradicional campeonato de base do País) pelo Colorado, isso reduziria a perda de uma temporada quase inteira. A CBF, no entanto, não se posicionou até então. O advogado Rafael Cobra concorda com Matias.

“Com exceção do sub-20, que abarca três anos, as demais categorias têm dois anos. É muito importante que o atleta vivencie o primeiro ano de categoria, mesmo sabendo das dificuldades de jogar. O processo de formação depende desse tipo de experiência, de se treinar com atletas velhos, mais maturados. No segundo ano e último ano de categoria, é importante o atleta ter mais responsabilidades e jogar com mais frequência”, declara.

Se o atleta, que estava no primeiro ano de categoria [em 2019] e agora [2020] teria o segundo ano, não tiver a oportunidade de vivenciar essas responsabilidades [em 2020], e no ano que vem ele novamente vier a ser do primeiro ano, uma categoria acima, serão três anos de poucas condições de jogo e evolução. Certamente, isso prejudica o processo de formação”, conclui Cobra.

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