Sexta-feira, 29 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 28 de agosto de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nessa quinta-feira (28) que o governo brasileiro ainda não conseguiu contato com a diplomacia dos Estados Unidos para renegociar as tarifas impostas aos produtos brasileiros por Donald Trump.
A declaração foi dada durante a nomeação de novos diretores para agências reguladoras brasileiras.
Lula pediu seriedade aos indicados e compromisso com o Brasil em meio a um cenário internacional adverso. “Esse momento está muito delicado do ponto de vista político”, disse Lula.
“Até agora a gente não conseguiu falar com ninguém nos EUA”, disse Lula. “(OS EUA) Suspenderam a reunião com o (ministro da Fazenda, Fernando) Haddad e foi se reunir com Eduardo Bolsonaro. Uma demonstração da falta de seriedade com a relação com o Brasil”, disse.
“A hora que eles quiserem negociar, o ‘Lulinha paz e amor’ está de volta. Não tenho medo de errar”, concluiu o presidente.
Prejuízo
Lula afirmou ainda que a taxação dos EUA a exportações brasileiras com tarifas de 50% vai prejudicar o próprio consumidor dos Estados Unidos e que a conta “vai aparecer em algum momento”.
O presidente também defendeu o multilateralismo, afirmando que essa é a melhor forma de “estabelecer a convivência democrática entre os países”.
Lula também distribuiu afagos à China e afirmou que foi “ousado”, ao reconhecer o país asiático como uma economia de mercado durante os primeiros mandatos dele. “Eu reconheci a China e sou agradecido porque o Brasil tem hoje, na China, o seu maior parceiro comercial. O fluxo comercial entre Brasil e China é de US$ 160 bilhões, o dobro do fluxo entre Brasil e Estados Unidos”, disse o petista.
Big techs
Lula defendeu ainda a regulação das big techs pela legislação brasileira e repetiu que está aberto ao diálogo, mas que a Casa Branca é que não demonstra disposição para conversar.
“Quem cuida do povo brasileiro é o próprio povo brasileiro, não é uma big tech americana, chinesa, francesa ou de qualquer outro país. É importante que eles saibam disso. Esse momento é um momento muito delicado do ponto de vista político”, disse Lula, ao defender uma discussão do tema pelo Congresso Nacional, a cujas regras, segundo ele, “todos estarão subordinados”.
Lula comentou que os Estados Unidos enviaram um recado ao Brasil de que não se pode regular as redes sociais. A intenção do governo, segundo o petista, é mostrar que toda empresa que atua no Brasil tem uma regulação própria. (Com informações de O Estado de S. Paulo)