Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de agosto de 2021
O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Microsoft e o Fundo Vale lançaram a PrevisIA, plataforma que usa inteligência artificial para prever as áreas com a maior ameaça de desmate na Amazônia.
Um arco de forte pressão sobre a natureza que se estende do Acre ao Pará, passando por Rondônia, sul do Amazonas, além de áreas de Roraima. São 9.635 km² de floresta sob risco de desmatamento em 2021, abrangendo 192 municípios com “risco alto ou muito alto” de devastação. Só no último semestre, o impacto soma 4 mil km².
Os dados são de estudo feito por uma parceria entre a ONG Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Microsoft e o Fundo Vale, que lançaram esta semana a PrevisIA, plataforma que usa inteligência artificial (IA) para prever as áreas com a maior ameaça de desmate na Amazônia.
Pelo mapa da plataforma, é possível localizar o impacto da devastação existente sobre 48 terras indígenas, que apresentam áreas “sob risco alto ou muito alto” de desmatamento, assim como 18 unidades de conservação, 2 territórios quilombolas e 789 assentamentos rurais que também sofrem esse nível de pressão.
Carlos Souza Jr., pesquisador associado do Imazon, já avalia novos dados do sistema que devem ser atualizados semestralmente. “Nossa meta é atualizar a cada seis meses, mas talvez já seja possível fazer trimestralmente”, disse ele ao Estadão.
Para enxergar as áreas ameaçadas, a PrevisIA analisa variáveis que mostram áreas sob maior risco de devastação. Entre as informações fornecidas para a visualização no mapa de risco estão a existência de estradas legais e ilegais, localização de topografia, cobertura do solo e infraestrutura urbana, assim como a combinação de dados socioeconômicos da região. Na análise, segundo os técnicos, a ferramenta conta com um algoritmo de IA e com um modelo de risco desenvolvidos pelo Imazon e recursos avançados de nuvem de computadores da Microsoft. Além do mapa de calor, a ferramenta possibilita a análise dos dados e cria rankings de Estados e cidades com maior probabilidade de terem áreas de floresta destruídas.
Souza Júnior ressalta que é importante que a plataforma seja ágil para mostrar onde há ondas de risco de desmatamento. “Para o modelo, a gente usa dado anual do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia) sobre desmatamento, mas para a atualização vamos incorporar os dados de alerta de desmatamento, que são mensais”, explicou. Assim como o Inpe, o Imazon tem um sistema de alerta, o SAD.
Só em junho, a devastação florestal atingiu 926 km², “área quase três vezes maior” que a de Fortaleza, conforme o SAD. Dados acumulados em 11 meses mostram alta de 51% de agosto de 2020 a junho deste ano, ante igual período anterior (agosto de 2019 a junho de 2020). “Esperamos que haja ações públicas, das autoridades, nessas ilhas de calor para que sejam cada vez menores”, defendeu Souza Júnior. “E a ferramenta vai permitir que essas ações sejam também visualizadas e avaliadas”, completou o pesquisador.
Além do Imazon, o lançamento da ferramenta contou com Rodrigo Kede, vice-presidente corporativo da Microsoft; Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil; e Hugo Barreto, diretor de Investimento e Desenvolvimento Social da Vale. O investimento da Microsoft é uma das ações apoiadas pelo programa All for Good, em que a gigante da tecnologia coloca à disposição US$ 165 milhões (R$ 865 milhões), por cinco anos, para fornecer financiamento, tecnologia e especialização para indivíduos e ONGs. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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