Quinta-feira, 28 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 7 de setembro de 2015
Desde a aposentadoria dos ônibus espaciais, em 2011, a Nasa (agência espacial americana) enfrenta a incômoda situação de dependência da Rússia para o envio de astronautas para a ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês), mas o cenário deve ser revertido em breve. A agência apresentou, em parceria com a Boeing, os planos para a construção da CST-100 Starliner, sua nova espaçonave tripulada. A CST-100 será fabricada e preparada para o lançamento na Instalação de Processamento de Tripulação e Carga Comerciais, ou C3PF, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA). A estrutura foi utilizada por duas décadas pela Nasa para preparações e testes dos ônibus espaciais.
As obras de revitalização da C3PF estão previstas para terminarem em dezembro, mas os engenheiros já trabalham na construção da versão de testes da Starliner. Apesar de não ter previsão para ser enviado ao espaço, o modelo passará por testes contínuos que culminarão em um teste de aborto em plataforma, planejado para 2017.
O projeto da Starliner faz parte de um contrato assinado pela Nasa com a Boeing e a SpaceX para o desenvolvimento de sistemas economicamente eficientes e seguros para o transporte de tripulação para a ISS. A ideia é que o serviço seja prestado para a agência, mas oferecido para passeios privados na órbita baixa do planeta.
“Há cem anos nós vimos o surgimento da era da aviação comercial, e hoje, com a ajuda da Nasa, estamos vendo o surgimento de uma nova era comercial no espaço”, disse John Elbon, vice-presidente de Exploração Espacial da Boeing.
Para a Nasa, a principal missão da Starliner, da Boeing, e da Crew Dragon, da SpaceX, será restabelecer a capacidade americana de lançamento de astronautas para a ISS, onde são conduzidos experimentos essenciais para o projeto de enviar o homem para Marte na década de 2030. “A espaçonave tripulada comercial é um componente essencial para a nossa jornada a Marte, e 350 companhias americanas estão trabalhando para que a maior potência da Terra possa lançar de novo seus astronautas ao espaço”, disse o administrador da Nasa, Charles Bolden.
A expectativa americana é que a Starliner e a Crew Dragon sejam usadas para transportar quatro tripulantes por vez, aumentando a tripulação residente da ISS para sete, em vez dos atuais seis. Dessa forma, será possível dobrar para 80 horas semanais o tempo disponível dos astronautas para pesquisas.
A Starliner será lançada de Cabo Canaveral impulsionada por um foguete Atlas V. A torre de acesso para a tripulação e a estrutura para equipes de suporte em terra já estão sendo construídas a alguns quilômetros da base de lançamento, mas apesar de a infraestrutura já estar sendo montada, o primeiro voo da Startliner e da Crew Dragon depende dos resultados dos testes.
De acordo com o contrato assinado no ano passado, a Boeing e a SpaceX terão que conduzir uma missão orbital de teste sem tripulação. Depois, uma segunda missão de teste, com astronautas, será realizada para demonstrar a capacidade de responder às demandas dos tripulantes. Só, então, as espaçonaves serão certificadas para missões operacionais. (AG)
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