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Saúde Nova vacina mira várias cepas do coronavírus

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A vacina já passou pelo estágio de testes em laboratório e está prestes a iniciar os ensaios clínicos. (Foto: Fiocruz/Divulgação)

Pesquisadores da Fundação Instituto de Imunologia da Colômbia (FIDIC) desenvolveram a primeira vacina contra as diferentes variantes do Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus, causador da covid. Em entrevista ao veículo de mídia colombiano Caracol Radio, o pesquisador Manuel Elkin Patarroyo, afirmou que o novo imunizante já passou pela fase de estudo pré-clínico e, em breve, deverá avançar para o estudo clínico em humanos.

De acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Frontiers in Immunology, o imunizante é feito a partir de uma plataforma de síntese química adaptada de uma metodologia criada pela FIDIC o em seus estudos sobre a malária. É uma vacina baseada em pequenos pedaços, não mais que 20 aminoácidos, da parte funcional do vírus, que se liga às células e as infecta.

Em vez de utilizar o vírus inteiro inativado, como o caso da Coronavac; uma proteína inteira, como a Novavax; ou instruções para células humanas produzirem uma proteína, como a da Pfizer; a vacina colombiana utiliza fragmentos de múltiplas proteínas: da espícula (a famosa proteína S ou Spike), da membrana e do envelope.

“Se diz que é uma vacina com proteção mais abrangente porque ela é uma vacina sintética de subunidade de subunidade com múltiplas proteínas, enquanto a maioria das vacinas que estão no mercado se basearam em proteínas da espícula. Se você aumenta o número de proteínas, se entende que a proteção é mais abrangente e isso é muito melhor em saúde pública”, explica a pesquisadora Sue Ann Costa Clemens, docente de Oxford e diretora do primeiro mestrado em vacinologia do mundo, na Universidade de Siena.

Além disso, o novo imunizante inclui a maioria dos fragmentos da variante clássica chinesa Wuhan, mas também fragmentos correspondentes às mutações de interesse e de preocupação já identificadas. Isso significa que essa é a primeira vacina contra múltiplas variantes. As outras são baseadas apenas na cepa original, de Wuhan.

“Já sabendo quais são as mutações presentes nas variantes de preocupação (VOCs) e nas de interesse (VOI) , eles escolheram pedaços das proteínas em lugares em em que o vírus não mutou, que são iguais entre todas as variantes. Eles estão usufruindo do conhecimento das próprias mutações. Nesse momento, não temos vacina que usufrui desse conhecimento, mas estamos a caminho de vacinas de segunda geração”, diz o geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba.

Outro ponto interessante dessa vacina, é que os pesquisadores fizeram modificações químicas nesses fragmentos de proteínas para que eles sejam reconhecidos pelo organismo humano, sem serem eliminados pelo sistema HLA, que reconhece e extermina corpos estranhos.

“Em tese, uma vacina dessa seria considerada estranha e o corpo produz anticorpos para eliminá-la. Eles modificaram essas sequências de aminoácidos para que elas possam ser reconhecidos como sequências do próprio organismo humano por esse sistema HLA”, explica o geneticista.

Isso significa que o corpo produz anticorpo contra o coronavírus e estará preparado em caso de infecção, mas não produz anticorpos contra a própria vacina. De acordo com os pesquisadores, o nível de anticorpos gerados pela vacina aumentou com o tempo. Eles afirmam também que ela tem capacidade de proteger cerca de 80% da população mundial.

Para Sue Ann Costa Clemens, que também é chefe do comitê científico da Fundação Bill e Melinda Gates, outro ponto positivo dessa vacina é que se acredita que ela seja muito mais fácil de produzir e mais barata.

“Se ela se comprovar segura e eficiente nas fases clínicas, é uma vacina de grande potencial”, complementa Raskin. Entretanto, seu desenvolvimento não deve ser tão rápido.

Entretanto, o fato da maior parte da população mundial estar vacinada e de não haver uma urgência para o desenvolvimento de novas vacinas, já que agora temos imunizantes disponíveis, pode fazer com que o estudo não seja concluído tão rapidamente.

“A vacina foi testada em macacos. Ainda são muitas etapas clínicas até ela estar disponível. Se tudo der certo, estamos falando de dois anos”, diz Raskin.

O desenvolvimento da nova vacina, chamada SM-COLSARSPROT, foi liderado pelos professores Manuel Alfonso Patarroyo e Manuel Elkin Patarroyo, do FIDIC, em parceria com o grupo de imuno-virologia da Universidade de Antioquia e a Universidade de Ciências Aplicadas e Ambientais (UDCA).

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